Sexta, 24 Junho 2022

'Temos que voltar às ruas e fazer a defesa dos nossos direitos'

marcha_primeiro-_demaio_CreditosSergioCardoso_sindibancarios Sérgio Cardoso

Depois de dois anos realizada no formato virtual, a 23ª Marcha pela Vida e Cidadania volta às ruas no 1º de maio, Dia do Trabalhador. A concentração será às 8h30, na comunidade Sagrado Coração de Jesus, em Vila Graúna, Cariacica, de onde os manifestantes partirão para a praça de Santana, no mesmo município. Um dos objetivos é incentivar o retomada da mobilização popular presencial. 

"Temos que nos levantar, voltar às ruas, e fazer valer nossos direitos", ressalta Katia Mariano, da Pastoral Operária da Arquidiocese de Vitória. "O isolamento social em virtude da pandemia da Covid-19 tirou as pessoas desse espaço e ainda há um comodismo", acrescenta.

 A manifestação é organizada pela Pastoral Operária, com apoio de entidades da sociedade civil como sindicatos, movimentos sociais e centrais sindicais. Motivos para sair do comodismo não faltam, segundo a agente de pastoral, que aponta que eles estão expressos no lema da Marcha, que é "Pela Vida, Direitos, Educação e Democracia: Gritamos!".

Katia destaca que quando se fala do direito à vida, é preciso denunciar a má gestão da crise sanitária, responsável pela morte de mais de 600 mil pessoas em todo o Brasil.

A agente de pastoral salienta ainda problemas sociais, que ferem a dignidade, como a fome, violência urbana, extermínio da juventude negra e aumento da população em situação de rua, causados por decisões políticas e econômicas, como a ausência de programas de transferência de renda.

No quesito direitos, o foco principal será a necessidade de revogação das reformas Trabalhista e da Previdência, além da Emenda Complementar 95, que estabelece o congelamento de investimentos em políticas públicas, como as de saúde e educação, durante 20 anos.

Kátia salienta que iniciativas de precarização da classe trabalhadora não se restringem a essas, sendo necessário compreender que a ofensiva contra os trabalhadores é constante. Ela cita como exemplo a destinação, em dezembro último, de parte do orçamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o Ministério da Defesa. "É uma forma de sucatear e impossibilitar a realização de cursos de capacitação para recolocação das pessoas desempregadas no mercado de trabalho", aponta.

No quesito educação, a Marcha terá sintonia com a Campanha da Fraternidade, cujo tema é "Fraternidade e Educação", e o lema "Fala com sabedoria, ensina com amor". A ideia é ir às ruas por uma educação que não seja uma mera preparação para o mercado de trabalho. "Pela educação a criança e o adolescente podem passar a ter consciência crítica que possibilite a eles se empenhar na busca por uma nova sociedade", defende Kátia.

Para ela, ao debater o tema Democracia, a Marcha também busca despertar as pessoas para a necessidade de participação de forma consciente no processo eleitoral de 2022, optando por projetos que incluam pessoas, e não excluam.

Kátia destaca ainda as ameaças à democracia que serão denunciadas durante a manifestação, como a violência política de gênero, principalmente sofrida pelas vereadoras de Vitória Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT), que constantemente têm suas falas interrompidas por outros vereadores e, até mesmo, são agredidas verbalmente.

Live

A Marcha pela Vida e Cidadania volta para as ruas, mas não abandona totalmente o mundo virtual. Neste sábado (16), será realizada a live "Direitos e Democracia", que será transmitida pelo perfil da Pastoral Operária no Facebook. Os debatedores serão o economista e professor aposentado da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Arlindo Villaschi; e a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Clemilde Cortes. "Optamos por fazer a live para introduzir parte do tema e também mobilizar as pessoas para a Marcha", explica Kátia.

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