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Trabalhadores terceirizados de Serra e Anchieta denunciam atrasos salariais

Funcionários que atuam na limpeza realizaram atos públicos e paralisações

Trabalhadores fizeram ato em frente à Prefeitura da Serra nesta segunda (12). Foto: Redes sociais

Trabalhadores que atuam em serviços públicos prestados por empresas terceirizadas nos municípios de Serra, na Grande Vitória, e Anchieta, no litoral sul do Estado, realizaram atos públicos nesta segunda-feria (12) para denunciar atrasos nos pagamentos dos salários. Na sexta-feira (9), a situação levou à deflagração de uma greve na Serra. No mesmo dia, os funcionários de Anchieta fizeram uma paralisação parcial e entraram em estado de greve. Os mesmos problemas já teriam acontecido em outras ocasiões.

Na Serra, a paralisação envolve trabalhadores da empresa Speed Serv, responsável por serviços de limpeza, portaria e apoio em equipamentos públicos do município. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza e Conservação (Sindilimpe-ES), os salários referentes a dezembro deveriam ter sido pagos até o quinto dia útil de janeiro, na quinta-feira (8), mas o pagamento não foi realizado.

A diretora do Sindilimpe, Rosimere Vieira Gomes, afirmou que a categoria já enfrentou situação semelhante em 2025, quando atrasos salariais levaram a uma mobilização dos trabalhadores. Na ocasião, segundo ela, os pagamentos foram regularizados após pressão sindical, e a empresa manteve os salários em dia por cerca de nove meses.

“Essa empresa tem uns nove meses que estava tranquila, tudo certo. Agora começou tudo de novo. Existe uma convenção do sindicato que estabelece que o pagamento deve ser feito até o quinto dia útil. Isso não foi cumprido”, afirmou. Ela explicou que, diante da situação, o sindicato seguiu os trâmites legais antes de iniciar a greve.

“O sindicato já tinha feito ato no ano passado. Foi feito chamado no local de trabalho e entrega de notificação, com prazo de 24 horas para a empresa ter ciência de que poderia haver greve. Desde sexta-feira estamos em greve e, até agora, não caiu nada [de salário]”, disse. Ela destacou ainda que a paralisação só será suspensa após o pagamento integral do que é devido. “A greve só vai acabar quando cair o pagamento. Os trabalhadores não vão ter o dia 10 [de trabalho] cortado [no salário], não pode cortar, e eles também não precisam bater ponto”, informou.

Além da cobrança à empresa, o sindicato também pressiona a gestão do prefeito Weverson Meireles (PDT) por providências. Segundo a liderança, o município informou ao Sindilimpe que pretende abrir uma nova licitação para contratar outra empresa para a prestação do serviço. “A prefeitura garantiu ao sindicato que vai abrir licitação para uma nova empresa. Essa informação já foi passada para a comissão formada pelos trabalhadores”, declarou.

Como parte da mobilização, o Sindilimpe convocou o ato público desta segunda-feira, em frente à Prefeitura da Serra. Em nota divulgada nas redes sociais, a organização chama os trabalhadores à mobilização para reivindicar direitos que foram desrespeitados pela empresa terceirizada, como destacou a entidade.

No início da noite desta segunda-feira (12), o Sindilimpe informou, em nota, que a Prefeitura da Serra antecipou o pagamento junto à empresa terceirizada, que, por sua vez, “deu início ao pagamento de parte dos trabalhadores e trabalhadoras ainda nesta segunda-feira. O Sindicato, portanto, segue acompanhando essa movimentação. A greve foi encerrada e a categoria tem o compromisso de retomar o trabalho tão logo todos os pagamentos sejam efetuados”.

Além disso, o Sindilimpe afirmou que “formará uma comissão junto com a Prefeitura da Serra com a finalidade de acompanhar o caso, promover todas as medidas administrativas e jurídicas cabíveis para responsabilização da empresa e acompanhar o andamento do processo de licitação do novo contrato”.

Em Anchieta, sob a administração do prefeito Léo Portugês, a situação é semelhante. Trabalhadores terceirizados da empresa Flex Serviços, que atuam na limpeza em escolas e unidades de saúde do município também denunciam atrasos salariais. O representante do Sindilimpe Erivaldo da Guarda Ferreira se manifestou sobre a situação nas redes sociais, em vídeo gravado em frente à Prefeitura.

“Estamos aqui com os trabalhadores terceirizados que prestam serviço nas escolas e na saúde. Todos estão, até a data de hoje, com salários atrasados, salários de dezembro, o que tem causado muitos transtornos aos trabalhadores”, afirmou. Segundo ele, além dos salários, há relatos de pagamentos de férias em atraso e outras obrigações trabalhistas não cumpridas pela empresa.

O dirigente informou que o sindicato se reuniu com o secretário de Administração e Recursos Humanos de Anchieta, Jilvan Carvalho, nesta segunda, e o gestor teria indicado a possibilidade de pagamento por parte da empresa, mas sem garantias. “Ele apresentou que a empresa poderia fazer os pagamentos ainda hoje, mas que não tinha certeza. Por isso, continua o estado de greve e a paralisação”, disse. Ainda segundo o representante sindical, o secretário afirmou que tomaria medidas administrativas, mas informou que a empresa já teve dois contratos com o município e que não há garantia de que ela não vença uma nova licitação.

Para o sindicato, essa possibilidade é vista como injusta diante do histórico de problemas. “A empresa está causando prejuízo tanto para o trabalhador quanto para o município, que paga em dia, mas a empresa não está em dia com os trabalhadores”, criticou Erivaldo.

As prefeituras de Serra e Anchieta foram questionadas por Século Diário sobre os atrasos salariais, as medidas adotadas e a situação dos contratos com as empresas terceirizadas. Até o fechamento desta matéria, nenhuma das administrações havia se manifestado.

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