Ricardo Aguilar, do Sindicato dos Servidores de Vila Velha, cobra valorização da prefeitura
Além de insuficiente e abaixo dos benefícios concedidos por outras prefeituras, o pagamento de um abono salarial de R$ 1 mil aos servidores públicos municipais de Vila Velha, creditado na última quinta-feira (15), foi considerado uma medida que não resolve o problema estrutural da defasagem salarial enfrentada pelo funcionalismo, de acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos de Vila Velha (Sinfais).
Para o presidente da entidade, Ricardo Aguilar, apesar de criar uma falsa sensação de valorização, a decisão da gestão de Arnaldinho Borgo (PSDB) não recompõe perdas acumuladas ao longo dos últimos anos e vem sendo utilizado como substituto indevido do reajuste anual da data-base, que deixou de ser concedido em 2025.
O sindicalista afirma que, durante as negociações com o Executivo, reivindicou um reajuste entre 10% e 15%, índice considerado mínimo para recompor não apenas a inflação, mas também perdas acumuladas no poder de compra dos servidores ao longo dos últimos anos. “Estávamos pedindo mais justamente para compensar perdas antigas. Esses 10% a 15% seriam o mínimo”, explicou o dirigente. Ele observa que as perdas salariais da categoria são ainda maiores do que o percentual reivindicado.

O abono de R$ 1 mil foi anunciado pela prefeitura em dezembro, e contemplou servidores ativos e aposentados do Poder Executivo municipal. A administração adotou o mesmo expediente no ano anterior, pagando em 2025 um abono referente a 2024, com valor igual. Ao anunciar a medida, o prefeito afirmou que se tratava de uma forma de reconhecer o trabalho dos servidores.
Entretanto, o presidente do Sinfais ressalta que o problema central está no fato de que o município deixou de conceder o reajuste da data-base, prevista para maio, tanto em 2024 quanto em 2025. “Não teve reajuste nenhum, nem fracionado, nem nada. Ele prometeu no ano passado o abono para justamente cair esse ano na conta, mas isso está muito aquém do esperado”, criticou.
Diferentemente do reajuste salarial, que é incorporado de forma permanente aos vencimentos e impacta inclusive aposentadorias, ele apontou que o abono tem apenas efeito imediato e pontual. “Não reflete na aposentadoria e não corrige as perdas”, acrescenta. O representante ressalta que, ao longo de quase seis anos da atual gestão, os reajustes concedidos foram sistematicamente abaixo do necessário. “A gente propõe um índice justamente para tentar compensar minimamente o que já foi perdido lá atrás”, defendeu.
O último reajuste salarial concedido pela Prefeitura de Vila Velha ocorreu em 2024, segundo o sindicato, e ficou em torno de 5%, índice que, na avaliação da entidade, apenas repôs a inflação do período. “Ganho real não existiu. Foi só reposição inflacionária”, afirmou Ricardo. Em 2025, não houve qualquer reajuste, apenas o pagamento do abono.
Mais reivindicações
Além do reajuste salarial, o Sinfais reitera outras pautas consideradas prioritárias pela categoria, como a revisão do auxílio-alimentação, atualmente em torno de R$ 800, valor considerado insuficiente diante do custo de vida. “A cesta básica consome cerca de 60% do salário mínimo e ainda assim não garante uma alimentação adequada. Se comparar com outros órgãos, inclusive do próprio município, o valor é maior”, argumentou Ricardo, citando, como exemplo, a Câmara Municipal de Vila Velha, que concede auxílio de R$ 1,2 mil para os funcionários.
Outra reivindicação é a reformulação do plano de cargos e salários, com a criação de mecanismos de reajuste escalonado e regras fixas, para reduzir a dependência da “boa vontade” de cada governo. “A ideia é não ficar refém de decisões políticas de ocasião”, explicou. Para o sindicato, a política adotada pela atual gestão evidencia uma estratégia de curto prazo, que evita o compromisso permanente com a valorização do funcionalismo.
O presidente do Sinfais também avaliou de forma negativa a relação institucional da gestão com a entidade representativa dos servidores. Segundo Ricardo Aguilar, o prefeito não recebe formalmente o sindicato há pelo menos dois anos. Mesmo com o envio de ofícios, ele relatou que não obtém respostas formais e depende de contatos informais com integrantes do governo para tentar agendar reuniões. “Ficamos sempre na promessa de reunião e nada acontece”, criticou.
Diante desse cenário, a entidade avalia que o diálogo institucional pode melhorar com a eventual saída de Arnaldinho do cargo para disputar o Governo do Estado. “Acreditamos que pode melhorar com o vice-prefeito assumindo. Com o Cael [Linhlis, do PSB] nós sentimos uma facilidade um pouco maior de diálogo”, afirmou Aguilar.

