Quinta, 11 Agosto 2022

Petrobras vende instalações no norte do Estado e gera prejuízos e desemprego

petrobras_norte_divulgacao Divulgação

Com a venda do Polo Norte Capixaba, em São Mateus, composto por quatros campos terrestres, aprovada nesta semana pelo Conselho de Administração, a Petrobras reduz drasticamente sua presença no Espírito Santo, com prejuízos para os municípios, gerados pela diminuição de royalties, sem contar o desemprego que virá e o valor da negociação, considerado muito baixo: 554 milhões de dólares - R$ 2,7 bilhões na cotação atual. As negociações, parte do esquema da gestão Bolsonaro de fatiar a empresa para privatizá-la, se desenvolvem diante da omissão da maioria da bancada capixaba no Congresso Nacional

Os quatro campos, nos quais a Petrobras é a única operadora, com 100% de participação, correspondem à Fazenda Alegre, o maior campo terrestre de petróleo no Estado, além de dutos e um terminal portuário, Cancã, Fazenda São Rafael e Fazenda Santa Luzia, cuja venda favorece a empresa Seacrest Petróleo SPE Norte Capixaba, subsidiária da empresa norueguesa Seacrest Group. No Espírito Santo, de instalações da Petrobras, restam apenas dois terminais de gás e o Campo de Jubarte, sul do Estado, que faz parte da Bacia de Campos.

Com voto contrário, a conselheira Rosângela Buzanelli afirma que o polo capixaba é "lucrativo, resiliente aos preços do petróleo, e que, nas mãos da Petrobras, tem desenvolvido um importante papel no Estado". Em 2021, sua produção média beirou os 6,5 mil barris de óleo por dia (bpd) e 53,3 mil m3/dia de gás natural.

"A privatização dos ativos da Petrobras tem gerado graves prejuízos ao nosso país e, recentemente, o Espírito Santo foi vítima desses efeitos nefastos. Um acidente ambiental evitável, cuja empresa responsável demonstrou total descaso e despreparo para as medidas de enfrentamento e remediação", comenta Rosângela Buzanelli.

Ela destaca que a venda de mais esse polo atende a um "plano estratégico" que desverticaliza e desintegra a companhia, negando as bases de sua criação, sua missão para com o país e seu brilhante passado. "Um "plano estratégico", cuja visão mira apenas na maximização do retorno e dos lucros, com redução insana dos custos e privatizações indefensáveis. Uma visão financista de curto prazo subserviente a um mercado especulativo e predatório que não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento sustentável do Brasil, dos brasileiros e da Petrobrás", afirma a conselheira.

O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-S) ingressou com ação na Justiça denunciando a subvalorização dos ativos que foram negociados pela Petrobras. A ação também denuncia o grave risco ambiental que a venda do Terminal Norte Capixaba pode trazer para a região, "pois a operação com monoboias é feita, atualmente, pela Transpetro, que possui anos de experiência na operação. Uma empresa assumir essa operação, sem nenhuma experiência, poderá provocar um vazamento de proporções jamais vistas no Espírito Santo".

Em nota, a entidade dos trabalhadores denuncia: "A saída da Petrobras do Norte Capixaba pode parecer insignificante ou até não fazer diferença para alguns políticos – até mesmo para alguns moradores da região – mas a verdade é que a realidade virá a tona em poucos anos. Um exemplo: os novos contratos não oferecem plano de saúde e quando oferecem é apenas para o trabalhador e sem contemplar a família. Será que a saúde pública desses municípios está preparada para receber aumento de demanda?".

Segundo a entidade, haverá também a redução no número de empregos. "O Sindicato dos Petroleiros alerta a população para os prejuízos e as consequências dessa medida. A venda vai impactar, no mínimo, em 500 empregos diretos na área de petróleo norte-capixaba", afirma Valnísio Hoffmann, coordenador-geral do Sindipetro-ES.

Com a venda dos ativos, os municípios também perdem com a redução dos royalties. De acordo com a nova portaria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as empresas médias e pequenas terão um repasse menor, de 7,5% e 5% dos royalties. Enquanto uma empresa como a Petrobras repassaria 10%", explica Hoffmann.

Veja mais notícias sobre Economia.

Veja também:

 

Comentários: 1

Luiz Fernando em Sábado, 26 Fevereiro 2022 06:51

A venda dos campos terrestres capixabas faz parte de um contexto mais amplo. Já foram vendidos pela Petrobras praticamente todos os campos de produção em terra do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas, que possuiam uma infraestrutura instalada bem maior que a do norte capixaba. Agora essa onda chegou ao ES.

A venda dos campos terrestres capixabas faz parte de um contexto mais amplo. Já foram vendidos pela Petrobras praticamente todos os campos de produção em terra do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas, que possuiam uma infraestrutura instalada bem maior que a do norte capixaba. Agora essa onda chegou ao ES.
Visitante
Quinta, 11 Agosto 2022

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/