Sexta, 24 Junho 2022

Ufes retoma aulas presenciais sem garantir acesso pleno à alimentação

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Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) denunciam problemas na logística do Restaurante Universitário (RU), que agora funciona por meio de agendamento. Alunos que precisam ficar no campus o dia todo reclamam que, muitas vezes, ficam com fome porque não conseguiram agendar a refeição com pelo menos 24h de antecedência, como é exigido pela instituição.

"O sistema de agendamento é muito burocrático (...) Tem estudante agendando dias antes, mas, às vezes, já não tem mais a opção do dia que a pessoa quer agendar. A gente acha que está tendo limite de vagas e isso é surreal, porque antes todo mundo tinha direito à comida na bandeja. Ninguém ficava sem comer", afirma André Rodrigues, aluno do 8º período do curso de Geografia e integrante do Levante Popular da Juventude.

Os alunos aponta, ainda, queda da qualidade da alimentação servida, além do desperdício do alimento, já que, com as marmitas, os alunos não conseguem escolher a quantidade que precisam. Outra falha é o sistema de leitura do QR Code, exigido para retirada da refeição, que faz com que as filas na frente dos restaurantes fiquem maiores. "Tem gente indo embora, não está comendo, porque tem que ir para o trabalho, e tem gente que não consegue agendar e está ficando com fome na universidade", afirma.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufes, em comunicado divulgado nessa quarta-feira (27), enfatiza que a alimentação de qualidade é essencial para a permanência estudantil, informando que, nos próximos dias, irá convocar os conselhos e entidades de base para organizar as reivindicações por um retorno presencial digno.

"A superação do ensino online se dá com alguns problemas no formato presencial e não aceitamos retroceder. Mas compreendemos que a Administração Central da Ufes precisa se movimentar com maior celeridade para garantia do pleno funcionamento dos restaurantes, das bibliotecas, dos espaços comuns e das garantias mínimas ao retorno presencial", cobra o DCE.

André, que viveu as condições do restaurante universitário antes da pandemia, defende o fim do sistema de agendamento, melhorias na qualidade da comida, transparência fiscal do processo de contratação das empresas, e a diminuição do preço das refeições, que já foram R$ 1,50 e agora custam R$ 5 para estudantes que não são cadastrados na Assistência Estudantil e R$ 9,50 para servidores e pessoas de fora da comunidade acadêmica.

"É irresponsabilidade da universidade permitir que esse sistema continue a negar o direito do estudante de se alimentar para se manter na universidade. Alimentação é permanência. A burocratização desse processo tem sido excludente para muitos estudantes", afirma.

O sistema de agendamento das refeições foi adotado durante o Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte). A refeição é servida em marmitas, que podem ser consumidas nos restaurantes ou retiradas para viagem. Com a retomada das aulas presenciais, no último dia 18 de abril, a Ufes manteve o sistema de agendamento nos campus de Goiabeiras, Maruípe e São Mateus. Em Alegre, sul do Estado, o fornecimento das refeições foi temporariamente suspenso por problemas com as empresas fornecedoras.

Mães reivindicam direito à alimentação

Os problemas no restaurante de Goiabeiras também foram denunciados pelo coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN), que luta por políticas públicas para pessoas com deficiência. Nessa quarta, o filho de uma das integrantes do coletivo ficou com fome por não ter conseguido agendar a refeição.

"São quase duas semanas de aula em que estudantes passam fome dentro da universidade por causa de burocracias. Ter que agendar para comer com dois dias de antecedência. Como assim? Alimentação é um direito humano a todas as pessoas e a Ufes retornar o ensino presencial sem garantir esta aos seus estudantes é o maior absurdo da história dos 65 anos anos de universidade", destaca o coletivo.

Integrantes do grupo se reuniram com o pró-reitor de Assuntos Estudantis e Cidadania, Gustavo Forde, para apresentar os problemas. As mães foram informadas que estudantes com deficiência passariam a ter prioridade de atendimento no Restaurante Universitário (RU).

"Deixamos bem claro para o pró-reitor que, para nós, não foi satisfatório, pois a situação dos outros estudantes não foi resolvida. Nos colocamos, enquanto movimento social, à disposição dos outros movimentos dentro da Ufes, para estarmos juntos na luta, pois alimentação é um direito humano de todas as pessoas. Esta não pode ser negada por causa de burocracias", pontou o Mães Eficientes.

'Meados de maio'

Diante das denúncias, a Ufes informou que pretende regularizar o fornecimento de refeições por meio de produção própria "a partir de meados de maio". O processo de transição para essa fase, alega a universidade, foi atrasado por dificuldades na contratação de empresas fornecedoras e prestadoras do serviço terceirizado.

"Nesses primeiros dias de funcionamento presencial da Ufes, três restaurantes universitários (dos campi de Goiabeiras, Maruípe e São Mateus) estão sendo supridos pelo fornecimento de marmitas por meio do prolongamento do serviço vigente no período letivo anterior, com aumento do atendimento até o limite permitido no contrato. No campus de Alegre, está sendo fornecido auxílio alimentação para estudantes cadastrados", disseram por nota. 

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Comentários: 1

Agmarcarioca amigo do mito em Sábado, 30 Abril 2022 18:02

A falta de uma gerencia e que causa o problema .depois acusam o cavalao (apelido do mito)

A falta de uma gerencia e que causa o problema .depois acusam o cavalao (apelido do mito)
Visitante
Sexta, 24 Junho 2022

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