Profissionais da educação do município fizeram protesto e iniciaram greve em 2025
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) denunciou o atraso no pagamento da segunda parcela do 13º salário, do adicional de 1/3 de férias e de salários de profissionais da rede municipal de ensino de Barra de São Francisco, no noroeste do Estado. A situação motivou a divulgação de uma nota de repúdio da entidade nas redes sociais, nessa terça-feira (6), que classifica a postura da gestão do prefeito Enivaldo dos Anjos (PSB) como desrespeitosa e violadora de direitos constitucionais dos trabalhadores da educação.
“A primeira parcela é paga na data de aniversário de cada pessoa, e a segunda parcela é paga em dezembro. Até o dia 31 poderia ter sido pago e não estaria atrasado”, explicou. Com o encerramento do ano e a virada para janeiro, o sindicato avalia que o município já descumpre o que determina a lei.
Segundo o diretor regional Norte/Noroeste do Sindiupes, Rodrigo Agapi, além do 13º salário, a gestão atrasou o pagamento do salário de dezembro de 2025 e do adicional de 1/3 sobre férias, especialmente para os profissionais contratados. “O DT não recebeu nada”, afirmou. Ele também fez críticas à forma como a atual gestão municipal tem tratado a categoria do magistério e indica a contradição entre os gastos da administração e a falta de prioridade no pagamento dos direitos trabalhistas. “O problema é que a gestão faz festa, mas não tem dinheiro para pagar os salários. Essa é a grande questão”, afirmou. Uma nova reunião do sindicato com os trabalhadores deve ocorrer com o início do ano letivo, acrescenta.

Ele afirmou que a expectativa da entidade é de que a situação seja resolvida antes disso, mas não descarta novas medidas caso os atrasos persistam. “A gente espera que já esteja tudo regularizado, mas, se não estiver, a categoria vai se reunir para avaliar os próximos passos”, afirmou. O problema não se resume apenas a números, mas afeta diretamente a vida e a dignidade dos trabalhadores. “Esse atraso gera muita preocupação, porque é um momento em que as pessoas já estão com contas acumuladas, compromissos de início de ano, material escolar, aluguel”, avaliou.
Na nota de repúdio divulgada pela Diretoria Colegiada do Sindiupes, o sindicato afirma que a administração municipal de Barra de São Francisco demonstra “desrespeito e descaso com a educação pública” ao não efetuar o pagamento da segunda parcela do 13º salário e do adicional de férias dos trabalhadores efetivos da rede municipal. O documento destaca que o atraso configura uma violação de um direito constitucional e provoca “grande preocupação e frustração” entre milhares de famílias.
O sindicato lembra que o 13º salário é um direito garantido por legislação federal desde 1962 e que deve ser pago até o dia 20 de dezembro. Segundo a entidade, esse recurso é fundamental para que os trabalhadores consigam equilibrar as contas e enfrentar o fim do ano com mais segurança financeira. “Portanto, é um recurso, geralmente, utilizado para tentar equilibrar as contas e garantir um final de ano mais tranquilo”, afirma a nota.
O texto também chama atenção para a situação dos profissionais contratados, que, segundo o Sindiupes, ainda não receberam o salário de dezembro de 2025, o 13º salário e o adicional de 1/3 de férias. Para o sindicato, o atraso no pagamento desses direitos gera não apenas prejuízos financeiros, mas também um impacto emocional significativo. “Repercute de forma negativa na vida de professores e demais trabalhadores da educação, que já convivem com salários defasados e desvalorização profissional”, destaca o documento.
Ao final da nota, o Sindiupes manifesta “total repúdio” à administração municipal de Barra de São Francisco e exige respeito aos trabalhadores da educação e à Constituição Federal. A entidade afirma que não aceitará novos ataques à categoria e que irá buscar todos os meios jurídicos necessários para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas.
Em outubro de 2025, no feriado do Dia dos Professores, o magistério de Barra de São Francisco se uniu em passeata pelas avenidas principais da cidade para reivindicar valorização profissional, respeito e salário digno. A categoria tem denunciado o descumprimento do pagamento do piso nacional e chegou a deflagrar uma greve no último mês de agosto, mas o movimento foi suspenso por decisão judicial antes mesmo de começar.
Século Diário tentou contato com a Prefeitura de Barra de São Francisco para esclarecimentos sobre a situação do magistério no município, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

