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Sábado, 10 Abril 2021

'Educação é um direito básico que está nos sendo negado'

escola_hildamaria_sedu Sedu

Estudantes do terceiro ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Hilda Miranda, em Porto Canoa, na Serra, coletam assinaturas em um abaixo-assinado a ser entregue para a Secretaria Estadual de Educação (Sedu), no qual reivindicam a reinserção das disciplinas de Física e Química na grade curricular. A retirada das matérias, de acordo com eles, impõe prejuízos ao conteúdo necessário para um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

"O Enem é essencial para ingressar no ensino superior. Com a retirada desse conteúdo, percebe-se que educação é um direito básico que está nos sendo negado", diz uma das alunas, Jéssica Ferreira.

A jovem cursa o terceiro ano do curso técnico de Manutenção de Suporte em Informática, junto com Renan Portela, que repete as críticas à retirada das disciplinas. Também foram excluídas Sociologia e Filosofia, mas os estudantes acreditam que o mais prejudicial para o Enem é a não oferta de Física e Química.

Renan conta que sua turma ingressou no primeiro ano do ensino médio regular. A Sedu, porém, os integrou ao ensino técnico a partir do segundo ano. Ele relata que as possibilidades de curso técnico apresentadas foram somente Logística e Manutenção de Suporte em Informática, sendo garantido pela Sedu que, por não terem iniciado o ensino médio integrado ao técnico, não teria retirada de disciplinas. "Mas agora estão priorizando o técnico e esquecendo o que precisa para fazer o Enem", reclama.

Ao procurarem professores e diretores da escola para tratar do assunto, os estudantes relatam que foram informados de que a retirada das disciplinas faz parte da reforma do Ensino Médio, aprovada em 2017.

"O Hilda Miranda sempre foi uma escola que gostamos muito. A estrutura é boa, os professores e demais profissionais são acolhedores. Antes do projeto técnico era uma escola excelente", ressalta Jéssica.

Renan recorda que os estudantes não tiveram opção diante da entrada do curso técnico, pois o ensino médio regular estava sendo oferecido no Hilda Miranda no turno matutino, no qual muitos alunos não poderiam estudar devido ao horário do estágio.

Outra queixa dos alunos é de que, ao ingressar no segundo ano, tiveram que fazer dois anos de curso técnico em um, já que no primeiro o conteúdo foi do ensino médio regular.

'Reivindicação é legítima'

O professor e integrante do coletivo Resistência & Luta Educação, Swami Bérgamo, considera legítima a reivindicação dos estudantes. "O governo do Estado precisa rever isso", afirma.

Ele destaca que na Portaria 150-R, que trata das organizações curriculares em 2021, é estabelecido, no artigo 28, § 4, que nas unidades escolares que ofertam as 2ª e 3ª séries dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, será mantida a organização curricular vigente.

"Estão implementando um novo currículo para quem já estava com um currículo em andamento. O certo seria implementar o novo currículo para quem fosse entrar no primeiro ano. Não foi dada opção para os alunos. Ou eles aceitavam as condições, ou sairiam da escola", diz Swami.

O professor acredita que essa atitude é mais um atentado à gestão democrática nos estabelecimentos de ensino, assim como o retorno das aulas no sistema híbrido e a inserção de novas matérias sem formação para os docentes que as irão lecionar.

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Comentários: 5

Jc em Sábado, 27 Fevereiro 2021 09:33

Infelizmente nossos governantes não estão preocupados com educação.
Estamos voltando no tempo onde os alunos eram preparados para apertar parafusos.
Toda conquista obtida ao ano de lutas na educação estão sendo apagadas.
Estamos aumentando ainda mais o distanciamento entre pobres e ricos.
Filho de pobre que nos últimos anos foi as universidades, dividindo espaço com os ricos, estão sendo tolidos desse sonho.
Isso é Brasil, voltando a ser Brasil.

Infelizmente nossos governantes não estão preocupados com educação. Estamos voltando no tempo onde os alunos eram preparados para apertar parafusos. Toda conquista obtida ao ano de lutas na educação estão sendo apagadas. Estamos aumentando ainda mais o distanciamento entre pobres e ricos. Filho de pobre que nos últimos anos foi as universidades, dividindo espaço com os ricos, estão sendo tolidos desse sonho. Isso é Brasil, voltando a ser Brasil.
Professora em Sábado, 27 Fevereiro 2021 12:09

Muito pertinente a reivindicação. Toda implementação deveria ser realizada gradativanente, respeitando o currículo em andamento. Alterar uma organização curricular para um aluno que já está na 3 série do EM, sem ouvir as partes envolvidas, soa como ação ditatorial. Isso tem sido recorrente em todas as mudanças. Está acontecendo inclusive com a implemetação da BNCC no Ensino Fundamental. É preciso repensar a prática governamental, respeitando a democracia.

Muito pertinente a reivindicação. Toda implementação deveria ser realizada gradativanente, respeitando o currículo em andamento. Alterar uma organização curricular para um aluno que já está na 3 série do EM, sem ouvir as partes envolvidas, soa como ação ditatorial. Isso tem sido recorrente em todas as mudanças. Está acontecendo inclusive com a implemetação da BNCC no Ensino Fundamental. É preciso repensar a prática governamental, respeitando a democracia.
Luiz em Sábado, 27 Fevereiro 2021 12:32

Eles passaram a boiada em dezembro com esta alteração curricular, sem mesmo discutir com os pais, professores e alunos. O incompetente secretário da educação e este governador apoiam a intervenção de magnatas tipo Leman que quer transformar os alunos pobres do ensino público em mão de obra barata para o mercado financeiro. É mais um absurdo, desvalorizam e nivelam todos os professores por baixo, sucateiam a educação ajudando o fascismo e neoliberalismo do país.

Eles passaram a boiada em dezembro com esta alteração curricular, sem mesmo discutir com os pais, professores e alunos. O incompetente secretário da educação e este governador apoiam a intervenção de magnatas tipo Leman que quer transformar os alunos pobres do ensino público em mão de obra barata para o mercado financeiro. É mais um absurdo, desvalorizam e nivelam todos os professores por baixo, sucateiam a educação ajudando o fascismo e neoliberalismo do país.
Prof. Vinícius em Quinta, 04 Março 2021 10:08

Com a retirada de disciplinas acadêmicas do currículo do Ensino Médio, quem perde a priori é o estudante e, depois, a sociedade por inteiro. Está a aumentar o fosso entre a escola básica e a Universidade públicas. Do jeito que a coisa anda, o saldo final será a cota para as classes médias e altas da sociedade brasileira nas Universidades públicas, estando o estudante pobre, periferizado e majoritariamente negro reduzido a afazeres técnicos ou, na pior das hipóteses, à mão-de-obra barata, informal e servil à oligarquia mazomba brasileira, enfaticamente no tráfico de drogas, na prostituição ou em serviços gerais...

Com a retirada de disciplinas acadêmicas do currículo do Ensino Médio, quem perde a priori é o estudante e, depois, a sociedade por inteiro. Está a aumentar o fosso entre a escola básica e a Universidade públicas. Do jeito que a coisa anda, o saldo final será a cota para as classes médias e altas da sociedade brasileira nas Universidades públicas, estando o estudante pobre, periferizado e majoritariamente negro reduzido a afazeres técnicos ou, na pior das hipóteses, à mão-de-obra barata, informal e servil à oligarquia mazomba brasileira, enfaticamente no tráfico de drogas, na prostituição ou em serviços gerais...
ILDEBRNADO JOSÉ PARANHOS em Terça, 09 Março 2021 17:39

A Educação é um processo dinâmico, e por isto, entendemos ser importante afirmar que as escolas Cívicos-Militares precisam ser de fato amplamente debatidas e apresentadas à sociedade. No entanto, eu como professor de Geografia compreendo que se os municípios e o estado cumprir o que emana no Plano Nacional de Educação (PNE), bem como nos PEE e PME, no que tange atender as metas. Se as verbas destinadas à educação e com aporte da União após a aprovação do FUNDEB Permanente, não precisamos de Escolas Cívicos-Militares. Pois, as Forças Armadas tem locais próprios para quem deseja seguir a carreira. A formação do cidadão num todo é função da Educação Básica. Desta forma somos contrário a esta modalidade educacional.

A Educação é um processo dinâmico, e por isto, entendemos ser importante afirmar que as escolas Cívicos-Militares precisam ser de fato amplamente debatidas e apresentadas à sociedade. No entanto, eu como professor de Geografia compreendo que se os municípios e o estado cumprir o que emana no Plano Nacional de Educação (PNE), bem como nos PEE e PME, no que tange atender as metas. Se as verbas destinadas à educação e com aporte da União após a aprovação do FUNDEB Permanente, não precisamos de Escolas Cívicos-Militares. Pois, as Forças Armadas tem locais próprios para quem deseja seguir a carreira. A formação do cidadão num todo é função da Educação Básica. Desta forma somos contrário a esta modalidade educacional.
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