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Quarta, 25 Novembro 2020

Educação especial na pandemia: mais esforço e menos aprendizado

leitura_braile_tomaz_silva_agencia_brasil Tomaz Silva/Agência Brasil

Mais esforço por parte dos professores, mais integração entre a família e a escola, e menos aprendizagem por parte dos estudantes. Essa é uma síntese importante dos dados levantados pela pesquisa Inclusão escolar em tempos de pandemia, apresentada nessa segunda-feira (16). 

"Os professores se empenharam bastante, mais do que o sistema e mais do que a escola", afirma o especialista em Educação Especial e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Douglas Ferrari, um dos coordenadores da pesquisa, que foi desenvolvida em parceria com outras duas universidade públicas, a de São Paulo e do ABC (USP e UFABC), e da Fundação Carlos Chagas (FCC). 

Dos educadores ouvidos no estudo, o relato de aumento da atenção da gestão escolar em relação ao público-alvo da educação especial foi feito por 51% dos profissionais da chamada classe comum, onde estudantes com e sem deficiência convivem, e por 58,7% dos que trabalham em atendimento educacional especializado (AEE) e em serviços especializados, como escolas ou classes bilíngues para surdos e escolas ou classes especiais.

Também houve aumento da relação família-escola, relatado por 41,8% dos profissionais de classes comuns e por 57,9% dos que trabalham em AEE e serviços especializados; bem como a valorização do professor pela família, que cresceu, na percepção de 41,7% e 55,9%, respectivamente, dos profissionais que responderam ao questionário.

A aprendizagem dos estudantes, ao contrário, diminuiu, na percepção de 41% e 42,8% dos professores. Outros 33,7% e 27,5%, respetivamente, não souberam responder sobre a evolução da aprendizagem.

"De julho pra cá houve melhoras. Os gestores e professores viram que a pandemia não é algo passageiro, como se imaginava. Também estão mais familiarizados com a tecnologia, é possível que já dê até para medir a aprendizagem", observa Douglas, reivindicando a produção e divulgação de avaliações formais do aprendizado, como mais uma subsídio para guiar aperfeiçoamentos do ensino remoto, que deve durar, pelo menos, em boa parte do ano letivo de 2021.

Diante da carência de avalições, no entanto, já é possível apontar caminhos para essa melhoria, a partir dos dados levantados pela pesquisa.

As principais barreiras enfrentadas pelos estudantes, segundo relato dos educadores ouvidos, são: alteração de rotina do estudante, apontada por 72,2% e 70,9% dos respondentes, respectivamente; falta de mediadores (os chamados professores colaborativos, que auxiliam os professores regentes ou comuns) na relação com os estudantes com deficiência (56,6% e 54,1%); falta de acesso à internet (53,2% e 67,7%); falta de equipamentos, como computadores, celulares e tablets (49,9% e 65,7%); e a falta de recursos de tecnologia assistiva (43,1% e 41,7%).

"É preciso fortalecer o vínculo com a família, que é um pilar da educação, mas pouco trabalhado", enuncia Douglas. "Os gestores devem ficar mais atentos à educação especial, porque os alunos querem participar e as famílias cobram condições para isso", acentua. "Valorizar o professor, com remuneração e condições dignas de trabalho", reivindica o especialista.

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