Debates vão abordar conflitos de uso, punições e aumento das fiscalizações

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) convocou para a próxima sexta-feira (5) duas plenárias, às 11h e às 17h, em frente ao Restaurante Universitário (RU) de Goiabeiras, em Vitória, para discutir a série de conflitos envolvendo o uso do restaurante e a recente resolução da Administração Central que estabelece punições para estudantes flagrados “roletando” – entrando no RU sem pagar.
A mobilização estudantil ocorre em um contexto de aumento de queixas relacionadas ao Restaurante Universitário. Nas últimas semanas, a Ufes passou a reforçar normas previstas na Resolução 19/2019 do Conselho Universitário, que regulamenta desde formas de acesso até condutas proibidas e sanções aplicáveis. O documento estabelece regras como entrada única por refeição; necessidade de identificação; proibição de acessos irregulares, como pular roletas, janelas ou portas laterais; e previsão de advertência ou suspensão de até 30 dias em casos de desacato, danos ao patrimônio ou tentativas de burlar o controle de entrada.
O DCE aponta que a Pró-Reitoria de Políticas de Assistência Estudantil (Propaes) informou que cresceram os relatos de desacato a trabalhadores do RU, além de discussões na fila relacionadas ao aumento da fiscalização e, ainda, comentários entre funcionários sobre a possibilidade de paralisação da equipe da empresa terceirizada responsável pelo serviço, a BIC Soluções em Alimentação.
Paralelamente, circularam em grupos de estudantes que uma aluna do curso de Biologia teria sido punida com suspensão de 30 dias por tentativa de entrada irregular. A mensagem, que incluía ainda a convocação de um suposto “roletaço” no jantar dessa sexta-feira (28), se espalhou rapidamente entre centros acadêmicos, mas não teve autoria assumida. Nem o DCE nem o Centro Acadêmico de Biologia (CA Bio) reconhecem a organização do ato ou confirmam a existência da estudante supostamente suspensa. A informação tampouco foi confirmada pela assessoria da universidade.
A repercussão do caso, porém, gerou debates, e fez com que o DCE se manifestasse por nota publicada nas redes sociais, explicando que a suspensão não pode ocorrer em flagrante, já que depende de processo administrativo. A Ufes reiterou essa informação oficialmente, afirmando que, até agora, nenhum estudante foi suspenso no contexto da atual fiscalização.
As questões em torno do RU também abordam as condições de permanência estudantil e o aumento da demanda por alimentação subsidiada. O DCE afirma que pressionou a Propaes pela criação de uma rubrica emergencial de R$ 250 mil para permitir que estudantes não assistidos possam solicitar refeições gratuitas em situações de necessidade.
Com o mecanismo, já implementado, estudantes podem explicar brevemente sua situação no próprio guichê dos restaurantes para acessar a refeição sem custo. O diretório argumenta que essa medida é necessária em razão de dificuldades financeiras enfrentadas por muitos estudantes e porque o RU da Ufes costuma ter um dos maiores valores de refeição entre as universidades federais.
Em resposta aos relatos, a Ufes reconhece, em nota, que há aumento de assédio, agressões verbais e episódios de desrespeito contra trabalhadores do RU, frequentemente motivados por discussões sobre acesso. De acordo com informações repassadas à representação estudantil pela Propaes, uma parte desses conflitos envolve pessoas que não são estudantes da Ufes, mas utilizam o restaurante de forma irregular.
A universidade informou que prepara um Plano de Ação com diálogo com usuários, campanhas de valorização dos trabalhadores e medidas de controle para identificar individualmente agressores, evitando que toda a comunidade seja responsabilizada por episódios específicos. Além disso, explicou que não pode subsidiar público externo com recursos de assistência estudantil, mas tem buscado alternativas com órgãos municipais e estaduais para encaminhar casos de pessoas em vulnerabilidade que utilizam o restaurante. A Ufes anunciou ainda a criação do Benefício RU-Ufes (BRU-Ufes), destinado a estudantes de graduação presencial com renda familiar bruta per capita de até dois salários mínimos que não são atendidos pela assistência estudantil da Propaes.

