Sábado, 04 Dezembro 2021

Governador fará interlocução entre Ufes e Ministério da Educação

renato_casagrande_ales_tatibeling_ales Tati Beling/Ales

O governador Renato Casagrande (PSB) se propôs a viabilizar uma interlocução com o Ministério da Educação para possibilitar o diálogo e a exposição das preocupações dos dirigentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) a respeito da criação de uma nova instituição de ensino a partir da fragmentação do campus de Alegre, no sul do Estado.

Campus de Alegre. Foto: Ufes

A decisão foi tomada em audiência com o governador, da qual participaram o reitor da Ufes, Paulo Vargas; o vice-reitor, Roney Pignaton; a diretora do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE), Louisiane Nunes; a diretora do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), Taís Cristina Soares; e o vice-diretor desse mesmo centro, Gláucio Cunha. Na ocasião, eles apresentaram a Casagrande a posição contrária à criação de uma nova universidade a partir da fragmentação do campus de Alegre.

A iniciativa de dialogar com o governador sobre o tema já havia sido anunciada pela universidade no dia 19 de outubro, na qual o reitor afirmou que a instituição de ensino iria se posicionar contrária à fragmentação junto ao Ministério da Educação, além de contatar agentes políticos, como Casagrande e o presidente da Assembleia Legislativa, Erik Musso (Republicanos), bem como representantes da sociedade civil.

Durante a audiência, foi informado ao governador o posicionamento do Conselho Universitário, aprovado em sessão extraordinária no dia 15 de outubro, além do apoio à decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e dos conselhos departamentais do CCAE e do CCENS. Para o Conselho Universitário, a fragmentação pode resultar na criação de uma universidade sem condições de sustentabilidade.

Um dos apontamentos feitos para o governador foi a preocupação com a possibilidade de criação de uma universidade que não resultará na ampliação da oferta de vagas e de cursos, nem no incremento da pesquisa e da extensão. Destacou-se, ainda, a falta de diálogo com a comunidade acadêmica a respeito do tema.

Também foi destacado que tem sido previsto para a nova universidade cargos de direção, funções gratificadas e poucos técnicos necessários à constituição da Administração Central, tratando-se, portanto, "de uma proposta de interesse meramente político, que apenas onera o sistema universitário federal com a criação de cargos, sem vantagens concretas para o sistema de ensino superior no nosso Estado, o que muito nos preocupa neste momento em que todas as universidades têm sofrido cortes contínuos de verbas e apresentam dificuldades para fazer face a todas as suas demandas".

A proposta de fragmentação da Ufes partiu do deputado federal Neucimar Fraga (PSD), por meio do PL 1963/2021, que busca a criação da Universidade Federal de Alegre (UFA). A essa proposta foi apensado o PL 2.048/2021, do deputado federal Evair de Melo (PP), com o mesmo objetivo, mas denominando a instituição de ensino a ser criada como Universidade Federal do Vale do Itapemirim (UFVI).

A Associação dos Docentes da Ufes (Adufes) classificou a iniciativa como arbitrária. "Trata-se de uma proposta autoritária, que fere a autonomia universitária, uma vez que impõe um projeto que não resulta do interesse da comunidade acadêmica, principalmente em relação a docentes, técnicos administrativos e estudantes do CCAE e do CCENS da Ufes em Alegre", critica.

Para a entidade, a proposta não se trata, de fato, da criação de uma nova instituição de ensino, mas sim da "amputação da universidade já existente, em nome de deslumbres eleitoreiros para enganar o povo nas eleições de 2022". A Adufes afirma ainda que o projeto de lei "emerge como um rolo compressor sobre o exercício da democracia e da autonomia universitária", destacando que a criação de uma nova universidade "não pode gerar insegurança, desequilíbrio orçamentário e irresponsabilidade para com a vida de uma comunidade acadêmica de quase quatro mil pessoas do campus sul da Ufes".

O movimento estudantil também já demonstrou contrariedade à criação da UFVI e da Universidade Federal de São Mateus (UFSM). Esta última é uma proposta de Neucimar por meio do Projeto de Lei 1964/2021, que cria a nova instituição de ensino a partir da fragmentação do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes).

Na nota "Pela Ufes fortalecida e não dividia: contra o fatiamento em 3 partes!", assinada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e mais 25 diretórios e centros acadêmicos, o movimento estudantil afirma que a proposta é "autoritária", além de se tratar de "uma afronta aos estudantes, servidores docentes e técnicos-administrativos", salientado também que "não beneficiará a sociedade capixaba".

Para o movimento estudantil, os projetos de lei criarão "Universidades Fake", já que "não há por parte do Governo de Bolsonaro e Mourão e de seu Ministério da Educação o interesse em construir um projeto de expansão que seja viável. Querem apenas separar e dizer que teremos duas novas instituições, com objetivo puramente eleitoreiro e que visa enganar o povo capixaba".

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Sintufes) afirma que "a categoria não pode compactuar com uma proposta autoritária, sem debate com a sociedade ou com a comunidade universitária". A entidade destaca que as universidades vivem há mais de cinco anos com cortes de recursos. "Programas importantes vêm sendo cortados por falta de verba. O governo atual é inimigo da educação. Num cenário de asfixia financeira, promovida pela EC-95/2016, que congela investimentos por 20 anos em educação e saúde públicas, precisamos entender o que está por trás desses projetos. E, ao que parece, o que está por trás é o projeto de privatização da educação pública e das universidades federais", alerta. Os técnico-administrativos afirmam que irão "seguir defendendo o fortalecimento da Ufes".

O Sintufes ressalta que "um dos projetos de divisão da Ufes é de um deputado federal que votou a favor da PEC 32/2020 (reforma administrativa) na comissão especial que analisou e aprovou a Proposta de Emenda à Constituição", referindo-se a Evair de Melo. O sindicato questiona: "ele estaria visando poder ter influência para indicar funcionários para esta 'nova universidade', caso a reforma administrativa seja aprovada?".

Comunidade acadêmica é contrária à fragmentação da Ufes

Projeto de Evair de Melo quer dividir centros no sul do Estado, assim como pretende Neucimar Fraga em São Mateus
https://www.seculodiario.com.br/educacao/comunidade-academica-demonstra-ser-contraria-a-fragmentacao-da-ufes

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Comentários: 4

Seu Madruga em Terça, 26 Outubro 2021 18:56

A universidade pública hoje é o maior antro de comunistas/esquerdalhas do país, militantes disfarçados de professor.

A universidade pública hoje é o maior antro de comunistas/esquerdalhas do país, militantes disfarçados de professor.
Marcio Bruzzi em Terça, 26 Outubro 2021 22:52

Concentrar é mais fácil pra roubar.

Concentrar é mais fácil pra roubar.
J. Cícero Alves em Quarta, 27 Outubro 2021 14:20

O Conselho Universitário da Ufes tem toda razão.

Trata-se de uma “proposta de interesse meramente político”, que nada acrescenta em termos de melhoria para a instituição e sem nenhum proveito para o aperfeiçoamento do ensino superior no Estado, mas que cria despesas desnecessárias para custeio e manutenção de novos cargos e estrutura da nova universidade que se pretende.

Um projeto realmente de caráter claramente político e viés autoritário, que fere de morte os princípios constitucionais da Autonomia Universitária e da Gestão Democrática do ensino, constituindo-se em flagrante tentativa de indevida ingerência autoritária na gestão das universidades federais.

Pelo bem e saúde da Ufes, espera-se que essa desastrosa proposta não prospere.

O Conselho Universitário da Ufes tem toda razão. Trata-se de uma “proposta de interesse meramente político”, que nada acrescenta em termos de melhoria para a instituição e sem nenhum proveito para o aperfeiçoamento do ensino superior no Estado, mas que cria despesas desnecessárias para custeio e manutenção de novos cargos e estrutura da nova universidade que se pretende. Um projeto realmente de caráter claramente político e viés autoritário, que fere de morte os princípios constitucionais da Autonomia Universitária e da Gestão Democrática do ensino, constituindo-se em flagrante tentativa de indevida ingerência autoritária na gestão das universidades federais. Pelo bem e saúde da Ufes, espera-se que essa desastrosa proposta não prospere.
Agmarcarioca amigo do mito em Sexta, 29 Outubro 2021 17:02

Ja conversei duas vezes com o cavalao (apelido do mito) em novembro no jubileu na brigada paraquedista vou sujeri a ele que todo aluno que vem da escola publica vai para universidade publica e quem vem da particular vai para universidade particular o papai rico pode pagar tem que acabar com a mamata,o cacique do Casagrande com Brasilia e muito fraco,vem ai o melhor politico capixaba Sergio Meneguelli,investir em Castelo no interior vai ser sucesso total na capital esta saturado

Ja conversei duas vezes com o cavalao (apelido do mito) em novembro no jubileu na brigada paraquedista vou sujeri a ele que todo aluno que vem da escola publica vai para universidade publica e quem vem da particular vai para universidade particular o papai rico pode pagar tem que acabar com a mamata,o cacique do Casagrande com Brasilia e muito fraco,vem ai o melhor politico capixaba Sergio Meneguelli,investir em Castelo no interior vai ser sucesso total na capital esta saturado
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