Sexta, 17 Setembro 2021

​Incertezas sobre Enem 2021 prejudicam preparo de estudantes

estudantes_ensinomedio_wilsondias_ABr Wilson Dias/ABr
Faltando menos de seis meses, as datas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram divulgadas. O edital, publicado nessa quarta-feira (2) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), informa que a aplicação das provas será em novembro. As incertezas que marcam o processo, repetindo a edição de 2020, prejudicam o desempenho dos estudantes, que já vivenciam as dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus.

Em 13 de maio, o presidente do Inep, Danilo Dupas, chegou a afirmar que o exame não seria realizado este ano, e sim no início de 2022. Após polêmicas, porém, ele recuou nesta semana, anunciando os dias das provas.

Kalianna Tolentino, do grêmio estudantil Margarida Maria Alves, lembra que as inconsistências em relação ao exame são um dos dificultadores. "Várias escolas, em especial as da rede pública, estão sem aulas há meses. O Enem é divulgado agora com nem seis meses de antecedência, depois de todo burburinho e incerteza em torno das datas", aponta.

Isso porque, até o início da semana, o Ministério da Educação (MEC) tinha divulgado apenas o edital de solicitação de isenção, direcionado a estudantes de baixa renda.

De acordo com o novo edital publicado nessa quarta (2), as provas impressas serão aplicadas nos dias 21 e 28 de novembro. Já as inscrições para o exame começam ainda este mês, com início no dia 30 de junho indo até o dia 14 de julho.

Para Kalianna, esses impasses são barreiras, principalmente por se tratar de uma prova realizada em meio à pandemia. "A edição do ano passado foi recorde de ausência e ainda assim muitos alunos passaram pela situação de serem impedidos de fazer a prova para que o distanciamento social fosse cumprido dentro das salas", recorda ela, que também acredita que as provas devam ser aplicadas após a vacinação em massa.

Júlia Silva, 18 anos, cursa o Ensino para Jovens e Adultos (EJA) em Guarapari e pretende fazer o Enem em 2021. Mesmo sem uma definição das datas e sem as aulas presenciais, ela começou a se preparar para o exame no início deste ano, mas, com o tempo, se sentiu desmotivada. "No começo do ano, eu até estava focada. Lá pra abril me deu um pouco de desânimo", afirma a estudante, que acredita ter perdido o foco por questões psicológicas.

Com o cronograma divulgado, a capixaba agora pretende retomar a preparação para a prova que, como ressalta, representa a oportunidade de entrar em uma faculdade.

A preocupação em relação ao planejamento da edição do Enem deste ano levou parlamentares de diversas partes do País a se mobilizarem. Em maio, o senador Fabiano Contarato (Rede) e a vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol) participaram de uma ação que protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF), solicitando a abertura de inquérito civil para investigar o planejamento, orçamento e execução do Enem 2021.

O objetivo era evitar problemas como os observados na edição de 2020, que contabilizou denúncias de salas cheias em plena pandemia do coronavírus. "Acompanhamos o que foi o Enem em 2020 e já estamos nos antecipando para que os mesmos erros não se repitam este ano", afirmou Camila Valadão na época.

A mobilização, que contou com a assinatura de 29 parlamentares de 13 estados, também tem o intuito de evitar os altos índices de abstenção observados no ano passado e garantir a aplicação das provas de maneira segura do ponto de vista sanitário. De acordo com a assessoria da vereadora Camila Valadão, a representação já tem um procurador federal designado internamente.

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