Sexta, 24 Junho 2022

'O que está acontecendo não é uma crise, é um projeto de governo'

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Movimentos sociais capixabas voltaram às ruas, nessa quinta-feira (9), para denunciar os cortes do governo Bolsonaro (PL) na Educação. O ato, mobilizado por estudantes, teve concentração na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contando com a participação de professores e sindicatos trabalhistas. "O que está acontecendo na Educação não é uma crise. É um projeto do governo que é inimigo do pobre, inimigo do estudante", declara o coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado (Sindipetro-ES), Valnisio Hoffmann.

Os manifestantes saíram do Teatro Universitário, na Ufes, e foram até o prédio da Petrobras, na Reta da Penha. O ato foi mobilizado pelo Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE/Ufes) e a direção estadual da União Nacional dos Estudantes (UNE). "O movimento estudantil protagoniza esse retorno às ruas, perante os cortes, os retrocessos desse governo, pensando não só na educação, mas também os serviços públicos, a saúde, as nossas estatais", destaca a representante da UNE-ES, Emanuelle Kisse.

A gota d'água para o ato, registrado em mais de 100 cidades brasileiras, foi o bloqueio de R$ 3,23 bilhões do orçamento da Educação, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 206/2019, que tentou propor a cobrança de mensalidade dos alunos de universidades públicas.

"Foi para que as pessoas pudessem se perguntar sobre tudo o que tem acontecido, para que a gente pudesse, nesse retorno presencial, reunir os estudantes, dialogar, fazer o nosso movimento de luta, assim como nós fizemos em 2019, quando sofremos os cortes na universidade", destaca Beatriz Pezzin, integrante do movimento estudantil Disparada-ES.

No Espírito Santo, o ato também foi marcado pela participação de estudantes dos Institutos Federais (Ifes) de fora da região metropolitana, como de Piúma, Guarapari e Itapina. Só o instituto federal capixaba sofreu um impacto de R$ 13,6 milhões com os cortes anunciados pelo Ministério da Educação. Para Beatriz, essa participação é importante para que as discussões sobre o cenário atual da educação cheguem a outros espaços.

"A gente consegue tirar essa concentração de conversas e diálogos da região metropolitana de Vitória e levar para todo o Estado, trazer a galera pra colar junto, conversar sobre o que está acontecendo, o que é esse projeto de privatização das universidades, como isso nos afeta e vai afetar, principalmente, as pessoas negras, da periferia, mais pobres, que não têm condição de pagar pelo ensino superior", enfatiza.

Professores e trabalhadores se unem às reivindicações

Integrantes da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) também apoiaram a mobilização, marcando presença no ato. Na Ufes, o impacto dos cortes foi de R$ 17,9 milhões, conforme informações divulgadas pela instituição.

A presidente da entidade, Junia Zaidan, enfatiza que a mobilização da comunidade acadêmica precisa ser conjunta, porque os ataques à universidade e ao serviço público atingem a todos. "Os ataques não escolhem os segmentos, vêm pra todos os cantos, seja em relação a orçamento, seja em relação a tentativas de implementação de modalidades de ensino que enfraquecem a formação, seja cortando investimento em pesquisa e extensão", elenca.

É o que reitera o coordenador Sindipetro-ES, Valnisio Hoffmann. Para ele, o corte de verbas também afeta áreas como a saúde e a produção científica e tecnológica. "As universidades públicas são responsáveis por mais de 90% da pesquisa e inovação do País, prestam serviços à população por meio de projetos de extensão, hospitais universitários e, simplesmente, o governo quer cortar verba para isso. É um absurdo", critica.

Um absurdo e um projeto de governo, como ele mesmo reiterou. Hoffmann cita o exemplo do projeto do Executivo enviado ao Congresso Nacional esta semana, desobrigando o uso dos recursos do pré-sal para a saúde e para a educação. "Esse dinheiro poderia ser a ponte para um futuro, transformar o Brasil em uma grande potência, muito investimento para a educação e a saúde, e ele escolhe usar para algo que nós nem sabemos o que é, se é pra orçamento secreto, para cobrir o rombo desse governo, que culpa a todos, menos a sua responsabilidade".

Para Emanuelle Kisse, a mobilização em Vitória foi significativa, principalmente por representar um momento de reorganização das lutas dos estudantes. "É um momento de reestruturação do movimento estudantil, que passou um período sem ocupar esses espaços de encontro e, agora, a gente consegue se reorganizar e reformular, politicamente, quais são nossas pautas, como que a gente consegue enfrentar esse governo, as mobilizações que a gente precisa fazer", explica.

O ato em Vitória faz parte de uma intensa mobilização nacional. De acordo com a UNE, nessa quinta-feira, manifestações foram registradas em mais de cem cidades, reunindo cerca de 500 mil pessoas. "Não podemos recuar. Precisamos manter a mobilização para barrar de uma vez por todas a tentativa de desmonte na Educação", ressalta a entidades nas redes sociais. 

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