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‘Pararam nossos sonhos’, protestam alunos da EJA de Cariacica

Ato de estudantes cobrou reabertura da escola Ferdinando Santório, em Vila Capixaba

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Estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Cariacica protestaram nessa quarta-feira (25) contra o fechamento da oferta da modalidade na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Ferdinando Santório, em Vila Capixaba. A comunidade escolar realizou um ato em frente à unidade para cobrar a reabertura do ensino e denunciar a decisão da Secretaria de Educação (Seme) da gestão de Euclério Sampaio (MDB), que classificam como “autoritária” e em “desrespeito aos trâmites legais”.

De acordo com um representante da comunidade escolar, que pediu para não ser identificado por temer represálias, os primeiros sinais de que a escola deixaria de ofertar a EJA surgiram há duas semanas, quando estudantes passaram a receber ligações da chamada pública da secretaria orientando que procurassem outra unidade para realizar matrícula.

A informação repassada por telefone era de que a EJA seria encerrada por baixo número de matrículas – atualmente, a escola conta com mais de 30 estudantes -, o que ele contesta. “Historicamente, chegam mais matrículas depois do Carnaval. Há evasão no fim do ano, mas no atual período, o estudantes começam a retornar. Não faz sentido fechar neste momento”, afirma.

Ele também destaca que a EJA da Ferdinando Santório funciona há mais de 20 anos e atende a um público historicamente excluído da educação formal. “São 30 anos, trabalhadores da limpeza, diaristas, pessoas muito simples que não puderam estudar na infância. É a segunda oportunidade que o Estado está negando. Isso é cruel”, avalia. “A palavra que mais ouvi foi ‘estão destruindo meu sonho”, completa.

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O fechamento foi confirmado na noite de terça-feira à direção da escola, e o comunicado aos alunos foi feito apenas de forma verbal. Desde então, as aulas noturnas estão suspensas e os estudantes foram orientados a pedir transferência para uma unidade em Campo Grande, o que exigiria deslocamento de ônibus e atravessar bairros diferentes. Essa realidade, para muitos, já inviabiliza a permanência nos estudos, explica Cláudia Damião, do oitavo ano da EJA.

Ela explica que decidiu se mobilizar junto com outros colegas e denunciar o fechamento da escola após receberam a notícia de que as aulas seriam interrompidas sem aviso antecipado ou qualquer consulta prévia. “Foi da noite para o dia. A diretoria não sabia, os professores não sabiam. A turma ficou indignada”, conta. Em ato público realizado no início da tarde e no fim do dia, os estudantes levaram cartazes com frases como “Queremos a EJA” e “Pararam nossos sonhos”.

“Ali cada um tem um sonho. Tem jovem que quer ser policial, menina que quer ser advogada. O meu sonho é ser professora. Não desisto. E agora cortaram nossas aulas. A maioria mora em bairros próximos e vai a pé para a escola. Para ir para Campo Grande, tem que pegar ônibus à noite. Não é seguro. Tem aluno que trabalha o dia todo e só pode estudar ali, perto de casa”, afirma.

Segundo ela, a crítica do grupo é que a Prefeitura de Cariacica desconsiderou a realidade dos estudantes e o impacto da decisão sobre pessoas que já tiveram o direito à educação básica negado no passado e estão sendo novamente privadas desse acesso. A comunidade pede a reabertura imediata das turmas e afirma que está disposta a realizar novos atos, caso não haja resposta da prefeitura.

O fechamento é considerado parte de um movimento mais amplo de redução da oferta de EJA no município, onde apenas 10 escolas ofertam essa modalidade, apesar de ter aderido ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos. A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) prevê apoio técnico e financeiro para ampliar o acesso à alfabetização e à escolarização de jovens, adultos e idosos.

Cláudia argumenta que o acesso à educação é um direito garantido e financiado com recursos públicos, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que distribui recursos para estados e municípios com base no número de matrículas registradas no Censo Escolar, ou seja, o município recebe verba por aluno matriculado na EJA. “Foi uma covardia. A gente paga imposto, tem direito à educação. Não podem simplesmente fechar assim”, criticou.

Século Diário procurou a Prefeitura de Cariacica para que se posicionasse sobre a situação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

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