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Segunda, 02 Agosto 2021

'Serei obrigado a pedir exoneração', lamenta professor de Vitória

lorenzo_pazolini_4_jansenlube_PMV Jansen Lube/PMV

Um decreto assinado no início da gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), em Vitória, impede que educadores da gestão municipal peçam "licença para assuntos particulares". Para o professor Geonias Ribeiro de Araújo, isso significa escolher entre dar aula ou cuidar do filho de dois anos e meio, que não pode ficar sozinho.

Há sete anos, Geonias é professor efetivo da educação infantil em Vitória. Durante a pandemia do coronavírus, algumas atividades da educação infantil voltaram a funcionar, mas não todas. Para a idade do filho do educador, ainda não há aulas nas creches públicas e a criança não tem com quem ficar.

"Não vi outra saída a não ser abrir mão do emprego para cuidar integralmente do meu filho. Enquanto professor concursado de Vitória, acionei meus direitos trabalhistas e pedi à PMV o meu direito constitucional de Licença Sem Vencimento, ou seja, não perder meu vínculo com a PMV e, sem receber meu salário, eu ficaria em casa para dar ao meu filho a atenção necessária. Posteriormente, eu poderia retornar ao trabalho assim que nosso cotidiano se normalizasse", ressalta.

O educador solicitou à prefeitura o afastamento, sem remuneração, mas teve o pedido negado pela administração municipal, com base em um decreto assinado no primeiro dia do mandato de Pazolini.

O Decreto nº. 18.261/2021 suspende a concessão de licença para tratar de interesse particular na administração direta e indireta de Vitória, quando gerar a necessidade de substituição do servidor.

A matéria foi assinada sob justificativa de uma contenção de gastos da prefeitura no exercício de 2021, e criou o Comitê de Controle dos Gastos Públicos (CCGP). O texto também suspende a concessão de licença-prêmio para os servidores, que era concedida após 10 anos de carreira.

De acordo com Geonias, há colegas na mesma situação, e muitos professores devem enfrentar o mesmo problema, já que as aulas presenciais foram retomadas em Vitória.

"Serei obrigado a pedir exoneração do meu trabalho de professor, porque a atual administração prefere que eu seja um pai desempregado, do que solidarizar com minha situação. O interessante é que tudo isto não custaria nada para os cofres do município, já que eu não receberia salário", destacou Geonias.

O diretor executivo do grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (Pad-Vix), Aguinaldo Rocha de Souza, explica que o decreto também é um dificultador para educadores que irão ingressar em cursos de mestrado e doutorado, já que a contratação de substitutos não é permitida.

Para ele, além de representar a negação de direitos, a medida revela a falta de participação da categoria nas decisões que afetam a educação em Vitória. "O modelo de governo do Pazolini é um modelo que nega o diálogo. Ele não quis participar dos nossos debates do ano passado, durante as eleições, e este ano não recebe os diretores para conversar. Estamos pedindo mesa de negociação desde janeiro", ressalta.

Aguinaldo lembra que o número de professores com o mesmo problema deve aumentar nos próximos meses, com a divulgação das listas em processos seletivos para mestrado. "Estamos buscando informações para tentarmos, mais uma vez, uma reunião para sensibilizar o prefeito e seu 'poderoso' secretário Aridelmo [Teixeira]", declara, em referência ao responsável pela pasta municipal da Fazenda.

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Comentários: 3

Emerson em Quinta, 27 Mai 2021 17:14

Licença para cuidar de assuntos particulares, me diz em que empresa privada existe isso? Inadmissível! Se a maioria da população trabalha e estuda pq não o funcionalismo? É por essa e outras que o funcionalismo tem que ser equiparado com o setor privado, não é justo a maioria do povo pagar pela mordomia de poucos. Tem muita coisa errada nesse país, o PSDB e o PT arruinaram esse país!

Licença para cuidar de assuntos particulares, me diz em que empresa privada existe isso? Inadmissível! Se a maioria da população trabalha e estuda pq não o funcionalismo? É por essa e outras que o funcionalismo tem que ser equiparado com o setor privado, não é justo a maioria do povo pagar pela mordomia de poucos. Tem muita coisa errada nesse país, o PSDB e o PT arruinaram esse país!
ESTANISLAU TALLON BOZI em Sábado, 05 Junho 2021 12:24

Minha irmã é professora de uma faculdade particular e ficou em licença sem vencimentos após a licença maternidade. Atualmente, encontra-se em licença não remunerada novamente, por outros motivos.

Minha irmã é professora de uma faculdade particular e ficou em licença sem vencimentos após a licença maternidade. Atualmente, encontra-se em licença não remunerada novamente, por outros motivos.
Claudia em Sábado, 03 Julho 2021 21:17

Licença sem vencimento, passar em um concurso público é diferente que entrar na vaga privada com indicação de um amigo, conhecido... Essa é a contrapartida de quem senta e estuda, opta por aquele trabalho que antes pede dedicação...

Licença sem vencimento, passar em um concurso público é diferente que entrar na vaga privada com indicação de um amigo, conhecido... Essa é a contrapartida de quem senta e estuda, opta por aquele trabalho que antes pede dedicação...
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Segunda, 02 Agosto 2021

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