Sexta, 28 Janeiro 2022

Servidores relatam prejuízos com a falta de internet nas escolas de Vitória

escolavitoria_flavioalmeida_PMV Flavio Almeida/PMV
Profissionais que atuam na rede municipal de Vitória relatam problemas para acessar a internet nas escolas do município. Desde o dia 22 de outubro, a rede de dados passa por instabilidades, o que também tem provocado dificuldades de acesso ao Sistema de Gestão Escolar (SGE), área em que os professores lançam notas e a frequência dos alunos.

"Tem sido muito difícil, porque é o sistema que faz o mapeamento de matrícula, organiza o fluxo escolar, gera declaração. É claro que a gente não está deixando de gerar, mas tem sido bem mais difícil, porque é tudo manual", afirma o integrante do grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (PAD-Vix), Juca Bitencourt.

Juca, que também é diretor de escola municipal, conta que a prefeitura ainda não deu nenhum prazo para que o problema seja resolvido. "Hoje recebemos uma equipe em cada unidade de ensino verificando a existência de vírus nas máquinas. O pior é não ter essa expectativa de prazo para organizar, e aí vai tudo se acumulando, ainda mais que está chegando o final do ano", explica o profissional.

O problema também afeta o Conselho Municipal de Educação de Vitória (Comev), que está sem acesso à rede de computadores, como relata a presidente Zoraide Barbosa de Souza. "Todos os documentos do Comev são ligados ao sistema da prefeitura, porque o conselho é do sistema de educação de Vitória. Então estamos sem acesso", conta.

A instabilidade tem prejudicado até a realização das reuniões do colegiado. "Na semana passada, tivemos que suspender um pleno porque não tínhamos condições de fazer de forma remota. Para atender à solicitação da Seme [Secretaria Municipal de Educação], nós convocamos uma outra plenária extraordinária", explica Zoraide.

Assim como os professores, os integrantes do conselho têm usado estratégias alternativas para conseguir realizar atividades básicas. "Para acessar a internet, temos que rotear os nossos dados móveis, ou então deixar pra quando chegar em casa acessar o drive, porque tudo nosso é ligado ao sistema da prefeitura. A gente está trabalhando aqui sem estrutura alguma, porque a internet até agora não voltou", aponta.

No dia 22 de outubro, após o site do município ficar fora do ar, a Subsecretaria de Tecnologia da Informação (Sub-TI) informou que havia identificado um "incidente na rede de dados" – ataque hacker - da prefeitura.

"Seguindo as recomendações de boas práticas, para que sejam analisadas as causas do incidente e as ações a serem tomadas, foi preciso isolar todo o ambiente de rede e dos servidores, tornando inacessíveis todos os serviços de TI da prefeitura, incluindo arquivos, acesso à internet, bem como todos os sistemas", informou em nota.

Após cinco dias fora do ar, o site do município voltou a funcionar no dia 27 de outubro, quando a prefeitura informou que estava liberando os serviços de forma gradativa.

Há quase um ano, um ataque de hackers também paralisou todos os serviços online e o Sistema de Informação (SI) da Prefeitura de Vitória. Servidores e moradores do município relataram dificuldades para marcação de consultas, emissão de notas fiscais, acesso a plataformas de educação virtual, dentre outras atividades.

Diante de uma tendência de informatização cada vez maior dos sistemas educacionais e de outras áreas da administração pública, os servidores que utilizam os serviços diariamente cobram investimentos maiores na prevenção de problemas como esses.

"Como é tudo muito centralizado, quando acontece um determinado ataque, todo o sistema é afetado. A pergunta que fica é: tem sido feito investimento em segurança tecnológica como deveria ser feito? Qual tem sido a perda nesses incidentes? Não só na oferta de serviços pela garantia de direito, mas perda financeira mesmo para a própria PMV. São perguntas que nós nos fazemos enquanto trabalhadores da educação", enfatiza Juca Bitencourt.

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