Ato cobrou punição a alunos que fizeram imagens íntimas falsas de meninas por IA

Alunas do Colégio Salesiano, em Jardim Camburi, Vitória, realizaram um protesto nesta sexta-feira (13) após estudantes da mesma escola manipularem a imagem de colegas para compartilhar fotos íntimas falsas, feitas por inteligência artificial (IA). Inicialmente, o caso era conhecido como envolvendo duas vítimas, mas, segundo estudantes que acompanham a situação, ao menos três meninas foram alvo da ação.
A mobilização ocorreu durante o horário de recreio e se estendeu até depois do término das aulas. As meninas iniciaram a manifestação com um ato silencioso dentro da escola, exibindo cartazes, reunidas em um espaço de convivência. Após o encerramento das aulas, a mobilização continuou em frente à entrada da unidade. Estudantes relatam que a organização do protesto começou de forma reservada em grupo de Whatsapp reunindo apenas alunas do nono ao terceiro ano para discutir a situação e planejar a mobilização.
A estudante Sofia Serri conta que as organizadoras evitaram divulgar a mobilização para evitar que fosse interrompida antes de acontecer. A proposta era realizar um ato silencioso para demonstrar apoio às vítimas e pressionar a escola a adotar medidas. “A ideia era ficar em silêncio, com cartazes, para mostrar que não aceitamos esse tipo de situação e que as meninas não estão sozinhas”.
Outra estudante que participou da mobilização e pediu para não ser identificada relata que a direção da escola tentou impedir a realização do ato pouco antes de começar. “A escola nos levou para uma reunião, mas resolvemos manter o protesto. Marcamos de ficarmos juntas em silêncio e continuar lá até o final da aula”, relata.
O objetivo do protesto é pressionar a instituição a adotar medidas diante das denúncias e garantir segurança para as vítimas dentro do ambiente escolar. Entre as principais reivindicações está o afastamento dos alunos envolvidos, para evitar que as meninas que tiveram as imagens manipuladas tenham que conviver com os supostos agressores. “É para garantir que as vítimas não se sintam expostas. Fica muito difícil conviver com as pessoas que fizeram isso”, afirma Sofia.
“Agora já se sabe que são três vítimas, pelo menos. O número foi aumentando conforme as meninas foram descobrindo e conversando”, acrescenta Sofia. O clima dentro da escola, segundo as estudantes, tem sido de tensão desde que o caso começou a circular.
Enquanto muitas alunas demonstram apoio às vítimas, parte dos estudantes estaria reagindo com indiferença ou tratando o episódio como motivo de piada. “Alguns amigos dos responsáveis estavam rindo da situação durante o protesto”, afirma. Ela também criticou a postura de colegas que, segundo as estudantes, tentaram proteger os envolvidos. “Na hora do recreio, alguns ficaram em volta deles para esconder o rosto. Muitas meninas acham isso ridículo, porque quem vê algo errado e não faz nada acaba sendo cúmplice”, reforça.
Além do protesto, estudantes iniciaram um abaixo-assinado cobrando providências da direção da escola. O documento pede investigação do caso, responsabilização dos envolvidos e ações educativas para prevenir episódios de violência digital e sexual.
Segundo as estudantes, famílias também passaram a cobrar um posicionamento da instituição, que só determinou suspensão de um dia aos envolvidos. Há expectativa de que representantes da Polícia Civil participem de uma reunião na escola na próxima semana para discutir o caso e orientar estudantes e responsáveis.
O Colégio Salesiano Nossa Senhora da Vitória se manifestou em comunicado interno ao familiares e disse que “tomou providências após tomar conhecimento do caso”; e que o episódio envolve estudantes do ensino fundamental e teria ocorrido durante o período de férias escolares. Após ser informada, a direção afirma que adotou medidas com base no regimento interno e na legislação vigente. Entre as providências informadas, estão “medidas disciplinares” e o contato com as famílias dos estudantes envolvidos.
A instituição afirma que pretende reforçar ações educativas sobre o uso da tecnologia e informou que comunicou o caso aos órgãos competentes, com quem está “colaborando plenamente para a apuração dos fatos”. A nota explica ainda que o colégio não divulgará detalhes ou identidades dos estudantes envolvidos, citando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

