Os familiares do advogado Marcelo Denadai, assassinado há mais de dez anos, realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (20), em frente ao Fórum de Vila Velha, contra o adiamento do júri popular de dois dos envolvidos, o empresário Sebastião de Souza Pagotto e Leandro Scardua Mageski. Uma manobra do advogado e presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), Homero Mafra, permitiu que o júri popular de Pagotto, marcado para esta segunda, fosse adiado para o dia 10 de outubro.
O então advogado do réu renunciou à defesa no dia 7 de agosto e Pagotto foi intimado a constituir novo defensor em prazo de 24 horas, o que não foi feito. Neste caso, foi designado um defensor dativo para representá-lo, mas não houve tempo hábil entre o dia da renúncia e do julgamento para que o defensor tomasse conhecimento dos autos.
A irmã de Marcelo Denadai, a deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), esteve no protesto e lamentou o adiamento do júri. Segundo Aparecida, a família teve paciência para esperar o julgamento por mais de dez anos e uma manobra que ela classificou como covarde e ardilosa não deveria ter sido aceita pelo juízo. “A justiça reconhece que existe esta manobra, mas ela não deveria ser aceita. O mandante do crime e os outros réus estão se valendo do tempo e cavando a injustiça”. Aparecida acrescentou que os acusados continuam gozando de uma situação benéfica, contratando com o poder público, como se nada tivesse acontecido.
A morte de Marcelo Denadai, em 15 de abril de 2002, está relacionada a denúncias de favorecimento nos contratos da empresa de Pagotto com a prefeitura de Vitória, durante a gestão de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), candidato ao cargo também neste ano. As suspeitas de fraudes se estendem ao antecessor de Luiz Paulo no cargo, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB).
O réu é apontado como o principal beneficiário do suposto esquema de fraudes em licitações na área de limpeza de esgoto durante a gestão de Luiz Paulo. A morte de Denadai se deu às vésperas da apresentação de uma queixa-crime sobre essas fraudes à Justiça. Ele era irmão do ex-vereador Antônio Denadai, que presidia à época uma comissão de investigação para apurar irregularidades nos contratos do setor.
Além do empresário Sebastião Pagotto, foram denunciados o ex-militar Dalberto Antunes da Cunha, Fabrízia Moraes Gomes da Cunha, Paulo Jorge dos Santos Ferreira (o Pejota) e Leandro Scárdua Magevski. No entanto, apenas Pagotto e Leandro Mageski iriam ser julgados nesta segunda-feira. Em julho passado, o juiz havia determinado o desmembramento dos julgamentos de Dalberto e Fabrízia Cunha, por conta da tramitação de recursos em instâncias superiores.