A empreiteira Engevix, que atuou em obras da Petrobras e do governo capixaba, fez o pedido formal de acordo de leniência na Controladoria Geral de União (CGU). A revelação foi feita em reportagem publicada no jornal O Globo nesta sexta-feira (13). O acordo permite que a empresa colabore com as investigações de corrupção na Operação Lava Jato em troca da redução de eventuais penalidades administrativas. O vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada, está preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba, Paraná.
De acordo com a publicação, a Engevix foi a segunda empresa a fazer o pedido na CGU. Antes, os executivos da Setal Óleo e Gás haviam se oferecido a colaborar com a apuração do escândalo de corrupção na estatal. A reportagem de O Globo revela que o pedido do acordo partiu dos próprios donos da Engevix, sem passar pelo Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, responsável pelas investigações. No caso da Setal, os diretores da empresa firmaram o acordo com o órgão ministerial.
Ao todo, a CGU abriu 18 procedimentos contra empresas acusadas de participação no escândalo – dez deles foram abertos nessa quarta-feira (11), incluindo, empresas do grupo Odebrecht, responsável pelas obras da sede da Petrobras em Vitória, que é alvo de investigações. O processo contra a Engevix foi aberto em dezembro passado, juntamente com outras acusadas de compor o “cartel de empreiteiras”, como a Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, OAS, Queiroz Galvão e UTC-Constran.
Nos meios políticos, há preocupação que uma possível delação premiada de Gerson Almada, que responde a uma ação de improbidade na Justiça estadual por supostas fraudes em contrato na Secretaria de Educação (Sedu), no primeiro mandato de Paulo Hartung, traga à tona nomes de políticos capixabas.
Em caso da confirmação da participação das empresas nas fraudes em contratos da estatal, a CGU poderá impedi-las de assinar novos contratos com o Poder Público, ficando ainda sujeitas à aplicação de multas e outras penalidades na esfera administrativa. De acordo com a CGU, há possibilidade de novos processos serem abertos contra outras empresas investigadas na Lava Jato.