sábado, março 14, 2026
25.9 C
Vitória
sábado, março 14, 2026
sábado, março 14, 2026

Leia Também:

Testemunha compromete ex-prefeito Ronaldo Prudêncio e a deputada Aparecida Denadai

 

Contradições nos depoimentos de uma testemunha podem complicar a vida do ex-prefeito cassado de Santa Leopoldina (região serrana do Estado), Ronaldo Prudêncio, e da deputada estadual Aparecida Denadai, ambos do PDT, que são alvo de uma investigação pelo suposto abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010. O processo caminha para ser julgado pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES).
 
Em depoimento prestado no início dessa semana, o líder comunitário Silvio Alves de Assis voltou atrás nas declarações prestadas à Polícia Federal sobre o pedido de votos de Prudêncio em troca de apoio político aos candidatos apoiados pelo então prefeito naquele pleito. Agora, ele afirma que não entendeu nos diálogos com o chefe do Executivo municipal que a realização de uma obra da prefeitura em sua propriedade estava condicionada à votação.
 
Silvio Assis alegou que a obra “prometida” (colocação de manilhas em sua propriedade) sequer foi realizada, o que afastaria qualquer vinculação entre a realização e o voto da família. No entanto, a testemunha havia afirmado à PF, em depoimento prestado em outubro de 2010, que o então prefeito havia assumido o compromisso de fazer a obra após as eleições, devido à fiscalização da promotoria no município.
 
No depoimento desta semana, Silvio Assis citou a tentativa de contato com o vereador do município, Janiço João Vervloet, o Silvio do Açougue (PDT), flagrado em escutas telefônicas pela PF, para interceder junto ao então prefeito. A testemunha desejava o apoio do edil para “reforçar junto ao prefeito seu pedido de realização da obra”.
 
Em outro momento do novo depoimento, o líder comunitário afirmou que não sabia quais candidaturas eram apoiadas por Prudêncio. Ele ficou sabendo, posteriormente, que uma das candidatas era a deputada estadual Aparecida Denadai (PDT). No depoimento à PF, a testemunha também havia declarado conhecimento do apoio do então prefeito à parlamentar.
 
Na denúncia, o Ministério Público Eleitoral (MPE) sustenta que o ex-prefeito e a deputada cometeram abuso do poder político e econômico durante o pleito. Uma das alegações é de que o então prefeito teria se utilizado do cargo à frente da prefeitura para conquistar votos para a então candidata. Durante as investigações da Operação Moeda de Troca, Aparecida teria intercedido a favor de empresários acusados de fraudes em licitações.
 
Os autos da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE 411842) tramitam desde dezembro de 2010. O relator do caso é o desembargador Anníbal de Rezende Lima, corregedor-geral do TRE/ES. Caso sejam condenados, a dupla pode ficar inelegível, além de a pedetista perder o mandato.

Mais Lidas