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Violência sexual digital contra estudantes de 14 anos mobiliza petição em Vitória

Movimento cobra punição após alunos do Salesiano exporem imagens íntimas feitas por IA

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A divulgação de imagens íntimas falsas criadas com uso de Inteligência Artificial (IA) envolvendo duas estudantes do Colégio Salesiano de Jardim Camburi, em Vitória, mobilizou familiares, alunos e integrantes da comunidade escolar em um abaixo-assinado que cobra punição mais rigorosa aos responsáveis e medidas de proteção às vítimas. A petição foi criada após a escola aplicar apenas um dia de suspensão aos alunos apontados como responsáveis pela criação e circulação das imagens manipuladas. Segundo relatos da família de uma das adolescentes, o conteúdo teria sido produzido após ela recusar um pedido de namoro de um colega.

Desde então, as estudantes continuam frequentando o mesmo ambiente que os responsáveis pela agressão, o que teria provocado sensação de constrangimento e insegurança, relatam colegas que se mobilizaram em defesa das vítimas. O abaixo-assinado, publicado na plataforma Change.org, pede medidas mais firmes da instituição e defende que a escola precisa agir para proteger as alunas e responsabilizar os envolvidos.

“Fotos foram criadas utilizando Inteligência Artificial com o intuito de denegrir a imagem de estudantes do colégio, provocando imensuráveis transtornos a essas jovens e a suas famílias”, diz a petição. Os autores acrescentam que educar também significa responsabilizar e tornar claro que todo ato tem consequências e defendem a expulsão dos envolvidos, além da adoção de medidas preventivas para evitar novos episódios. “A escola deve ser um ambiente seguro para todos os alunos e alunas. É essencial que atos que violem a dignidade e os direitos dos estudantes sejam tratados com seriedade e firmeza”, afirmam.

A criação e disseminação de imagens íntimas falsas geradas por IA – conhecidas como deepfakes – são consideradas uma forma de violência sexual digital, por provocar medo, constrangimento, danos psicológicos e isolamento social, especialmente quando ocorre em ambientes como escolas.
Dentro da escola, o caso também provocou reação entre alunos.

A estudante Valentina Mariani, de outra unidade da rede Salesiana, participa da mobilização e destaca que a situação evidencia a necessidade de medidas mais firmes para proteger as vítimas. “Esperávamos uma atuação melhor, porque para nós a impunidade dos autores incentiva mais casos assim e acaba envergonhando as vítimas, ou inibindo de se pronunciarem quando isso acontece”, afirma.

Uma estudante da própria unidade, que pediu para não ser identificada, relatou que o episódio gerou revolta entre colegas e discussões dentro da instituição. Ela relata que outras estudantes chegaram a tentar confrontar os adolescentes apontados como responsáveis pela criação das imagens, mas alguns alunos estariam tentando protegê-los ou ajudá-los a evitar confrontos.

A estudante afirma que a mobilização em defesa das vítimas partiu principalmente de meninas da escola, que passaram a compartilhar informações sobre o caso e divulgar o abaixo-assinado nas redes sociais. “Algumas colegas começaram a postar e virou uma pauta muito grande. Já está chegando a 6 mil assinaturas, que é muito maior que o número de estudantes da escola”, comenta.

A repercussão do caso provocou clima de medo entre estudantes, principalmente entre meninas, relata. “Quem fala está falando com medo, e quem não está falando é porque também tem medo”, acrescenta. A escola também tem sido questionada pelas condução do caso. Segundo as estudantes, a instituição estaria tentando silenciar a repercussão sobreo episódio em vez de enfrentá-lo de forma aberta. “É uma escola em que nossos pais investem dinheiro para ser um espaço acolhedor e seguro, mas hoje muitas meninas estão questionando se estão realmente protegidas ali e com medo de ter a imagem usada desse jeito”.

Valentina defende que a escola também tem responsabilidade na formação dos estudantes e reforça que a falta de responsabilização pode contribuir para a repetição de comportamentos violentos. “A escola é muito responsável pela formação do indivíduo na sociedade. Então é preocupante uma pessoa que faz algo desse tipo e sai impune. Isso pode, futuramente, evoluir para outros tipos de agressão contra a mulher justamente pela falta de ação. Não é tratado com a seriedade que deveria ser”, enfatiza.

No texto da petição, os organizadores afirmam que a prioridade deve ser garantir segurança às estudantes e evitar que episódios semelhantes se repitam. “Se não agirmos com rapidez e precisão, estaremos enviando uma mensagem errada de cumplicidade e aceitação a comportamentos destrutivos”, aponta. Até o momento, a direção do Colégio Salesiano de Jardim Camburi não se manifestou publicamente sobre o caso.

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