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Domingo, 17 Janeiro 2021

‘Lutava contra um sistema podre e falido com os braços amarrados’

O soldado Nero Walker, que ficou preso 290 dias por manifestar suas opiniões no Facebook durante a paralisação da Polícia Militar em 2017, foi expulso da Corporação  nessa quinta-feira (21), em decisão publicada no Boletim Geral da PM. De acordo com o documento, ele “teve conduta que afetou o sentimento de dever, a honra pessoal, o pundonor militar e o dever de classe”, ao divulgar vídeos apoiando o movimento paredista em redes sociais. 


Para Nero Walker, que já se anunciou como pré-candidato a deputado estadual recentemente, pelo PSL, a decisão o deixa livre para lutar em favor da sociedade e também dos colegas de farda. “Estava lutando contra um sistema podre e falido com os dois braços amarrados para trás. Agora estou livre e posso fazer muito tanto pela sociedade e quanto pelos irmãos de farda. Tentaram manchar e dissociar minha imagem de PM, mas não deu certo. Sempre vou continuar vendo os policiais como meus irmãos de farda, e eles também me veem assim”. 


E completa: “Não me arrependo de nada. Lutei contra um Leviatã em fevereiro de 2017 e faria tudo de novo. Não sinto que perdi a guerra. Me tiraram a farda e um salário de dois mil e poucos reais, mas eu tirei dele o governo de 2019".


Para Nero, a decisão já era esperada, mas surpreendeu pela rapidez. “Quando se trata do coronel Foresti (Carlos Alberto), a assinatura do governador leva um século pra sair e, inclusive, não saiu até hoje. Mas quando se refere à minha decisão, foi muito rápido”, exemplificou.  


Prisão


Nero Walker foi detido no dia 16 de junho de 2017, no bairro Amarelos, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado. Durante a ação da polícia, o soldado iniciou uma transmissão ao vivo em uma rede social mostrando sua própria prisão. No vídeo, argumentou o motivo: postagens no Facebook, interpretadas pelo Comando da Polícia Militar como perturbação da ordem. Sem abrir o portão de casa, Nero questionou os mandados de prisão e de busca e apreensão, exigindo que os mandados fossem lidos por um policial antes de a prisão ser efetuada. 


De acordo com a Associação de Cabos e Soldados (ACS), Nero é o 19º policial militar desligado da PMES desde fevereiro de 2017 por investigação interna, quando a Corporação instaurou uma verdadeira caça às bruxas contra os PMs, deixando, no entanto, os praças na linha de tiro e dando tratamento diferenciado aos oficiais. Até então, apenas dois oficiais estão sendo investigados, o coronel Carlos Alberto Foresti e o capitão Lucínio Assumção, que, no último caso, inclusive denunciou que comandantes de batalhões e companhias independentes impediram militares de sair para o policiamento, entre os dias 4 e 7 de fevereiro, e não foram responsabilizados. 


Segundo Capitão Assumção, tais oficiais chegaram a ser investigados pela Corregedoria da Corporação, mas tiveram seus inquéritos arquivados. Para ele, houve "dois pesos e duas medidas". 


Em função do risco de parcialidade no julgamento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) está julgando uma possível federalização dos processos que investigam a conduta de policiais militares na greve da PM de 2017. Outros julgamentos já estão em curso na Justiça capixaba nas instâncias comum e militar. 

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