Na iminência do lançamento de uma nova variedade de alface, que teria a capacidade de conter até 15 vezes mais ácido fólico do que a planta natural, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Empraba), o pesquisador afirma que a transgenia é dispensável para resolver deficiências alimentares. Como explica, uma alimentação variada e saudável é o suficiente para que o corpo receba todos os nutrientes responsáveis pelo seu bom funcionamento.
O pesquisador ainda apontou que a longevidade humana está em evidência em regiões onde não há amplo uso da biotecnologia, incluindo o uso de agrotóxicos, que onde é usado faz com que a qualidade de vida decresça e com que o número de doenças que afetam os cidadãos se ampliem. A cidade de Veranópolis, no Rio Grande do Sul, como exemplificou, apontada com a maior longevidade do estado gaúcho, é onde a população tem o costume de manter hortas domésticas para complemento da alimentação.
No Brasil, diversos estudos publicados por pesquisadores comprovam que a exposição prolongada aos agrotóxicos causa ataques ao sistema nervoso, ao sistema imunológico, má formações, atinge a fertilidade e possui efeitos cancerígenos. Em 2013, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou que o uso indiscriminado de agrotóxicos está diretamente associado ao aumento dos transgênicos no campo. Não à toa, o Brasil responde a 20% do consumo mundial total desses venenos.
Na corrida do lançamento de novas variedades genéticas, Melgarejo opinou que a notoriedade entre os pesquisadores também é um tema que precisa ser discutido. Como afirmou, o fato de a Embrapa poder ser a primeira a apresentar o feijão transgênico pode ter sido um dos motivos que fizeram com que a empresa não desse tanta importância para estudos nutricionais em longo prazo.
Especificamente sobre a questão das sementes, o Consea traz um resultado alarmante: somente a transnacional Monsanto, detém 46% das variedades de sementes transgênicas no Brasil, e a empresa divulgou, em 2012, a previsão de que 70% da soja colhida no Brasil fosse derivada de suas sementes.
Os dados causam preocupação ao Consea, uma vez que o setor público tem sua presença cada vez mais achatada no mercado de sementes, se comparado às grandes empresas, e para o conselho há a necessidade da maior atuação desse setor no acesso às sementes, para que este se contraponha às multinacionais, o que seria, segundo a carta, uma forma de aumentar a disponibilidade de sementes convencionais frente ao aumento de variedade de transgênicos ofertada.