Camila Valadão aponta “esgoto a céu aberto” e riscos ambientais e à saúde
A deputada estadual Camila Valadão (Psol) acionou o Ministério Público do Estado (MPES) para investigar a poluição registrada na Praia da Guarderia e nas praias da Ilha do Frade, em Vitória. A parlamentar solicitou a apuração técnica da origem de uma mancha escura, acompanhada de forte odor, que atingiu o mar da região na última segunda-feira (2), gerando preocupação entre moradores, frequentadores e trabalhadores que dependem da área para atividades econômicas e esportivas.

Em ofício encaminhado à dirigente do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente (CAOA), Bruna Legora de Paula Fernandes, Camila destacou que a mancha pode ter origem em uma manilha localizada à beira-mar, que desaguaria diretamente na Praia da Guarderia. A suspeita é baseada em vídeos registrados por moradores, por meio de drones.
Segundo a deputada, especialistas ouvidos consideraram que a coloração escura e o odor característico indicam a possível presença de esgoto, o que sugeriria algum grau de contaminação da água do mar. Camila critica a Prefeitura de Vitória, sob gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), por negar a existência de poluição e descartar responsabilidade por eventuais falhas na obra da nova estação de bombeamento da região.
As imagens mostram a coloração escura espalhada pela baía de Vitória, acompanhada de cheiro forte – característica comumente associada ao despejo de esgoto ou outros resíduos contaminantes. “Enquanto o prefeito dança em trio elétrico, a APA [Área de Proteção Ambiental] das Tartarugas, em Vitória, vira esgoto a céu aberto. Tem aparência, cheiro e gosto de esgoto — mas a prefeitura diz que não é”, denunciou a parlamentar em publicação nas redes sociais.
Para Camila, a divergência de versões reforça a necessidade de uma investigação técnica independente, capaz de medir o nível de contaminação da água, identificar a origem da mancha e apontar eventuais responsabilidades. No pedido, ela lembra que a poluição marinha é crime ambiental, conforme previsto na Lei Federal nº 9.605/1998, que estabelece sanções penais e administrativas para condutas lesivas ao meio ambiente.
As denúncias recebidas pela deputada indicam que as áreas afetadas são conhecidas pelo uso recreativo e pela prática de esportes aquáticos, como stand up paddle, caiaque, canoagem e natação em mar aberto, o pode expor as pessoas a riscos à saúde. Ela destaca ainda os prejuízos econômicos causados a instrutores, professores e trabalhadores autônomos que utilizam o local como espaço de trabalho.
Relatos de moradores e banhistas apontam que a mancha não apenas alterou a coloração da água, mas também provocou desconforto devido ao cheiro, levando muitas pessoas a evitarem o banho de mar nos dias seguintes ao episódio. Instrutores de esportes aquáticos afirmaram que precisaram suspender aulas e atividades por receio de expor alunos à água possivelmente contaminada.
“O que está em jogo não é apenas a aparência da água, mas a saúde ambiental da baía de Vitória, a segurança da população e o sustento de pessoas que dependem diretamente do mar para trabalhar”, argumenta a deputada no pedido encaminhado ao MPES.
Camila requer que o Ministério Público solicite laudos técnicos, realize vistorias no local e peça informações detalhadas à prefeitura e aos órgãos ambientais competentes, além de promover a apuração dos fatos, com eventual responsabilização administrativa, civil ou criminal, caso seja comprovada a ocorrência de crime ambiental. Até o momento, não há registro de abertura de procedimento investigatório pelo MPES sobre o caso.
Obras na Praia do Canto
A Prefeitura de Vitória alega, em nota, que despejo “do efluente em questão” foi provocado pelas obras da nova Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) na Praia do Canto, que tem como objetivo modernizar o sistema de macrodrenagem da cidade, e que “não se trata de esgoto ou água poluída, mas sim de água salobra oriunda do subsolo, cujo destino final é a baía”. Afirma, ainda, que “historicamente, a área da Praia do Canto e da Ilha do Frade é constituída por um aterro hidráulico sobre o mar, o que faz com que o subsolo local tenha uma composição salina”.
A administração diz que “durante a fase de execução das fundações da nova estação, que está sendo erguida ao lado das quadras de futebol na Praça dos Namorados, é necessário realizar o rebaixamento do lençol freático”. A administração municipal argumenta que “o procedimento é técnico, padrão e fundamental para garantir a segurança e a estabilidade da escavação em obras de grande porte”.
Acrescenta que “esta operação é controlada, monitorada e está em total conformidade com as diretrizes técnicas e ambientais do projeto, que conta com todos os licenciamentos necessários. O procedimento é temporário e cessará com a conclusão desta etapa construtiva”.

