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‘Direito à água e ao saneamento se constrói nas ruas e na folia’

Sindicatos levam bloco em defesa do meio ambiente ao Centro de Vitória

O bloco “Você tem sede do quê?” vai ocupar as ruas do Centro de Vitória na próxima segunda-feira (16), na Rua Gama Rosa, para exaltar a defesa da água pública, do saneamento universal e da preservação ambiental. O cortejo é organizado pelos sindicatos dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sindaema) e servidores públicos (Sindipúblicos), e sairá da sede do segundo até a Casa de Bamba, mostrando que o Carnaval também é uma manifestação da mobilização social.

“Carnaval também é ocupação da rua, também é sindicato”, afirma a presidente do Sindaema e diretora de meio ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wanusa Santos. “Queremos levar para o público pautas que dialogam com a vida cotidiana das pessoas, como saneamento, acesso à água e proteção do meio ambiente”, acrescenta.

Além da folia, o bloco terá ações concretas, como a instalação de um bebedouro gratuito no sábado, que permanecerá disponível até a Quarta-feira de Cinzas (17). Para Fábio Giori, diretor do Sindaema, o equipamento simboliza a luta por direitos que não podem ser mercadorias: água acessível a toda a população.

Sindipúblicos

A mobilização também denuncia privatizações e terceirizações que fragilizam serviços essenciais. “O trabalhador é qualificado, mas recebe pouco ou nada pelos riscos que enfrenta. A culpa não é dele, mas da lógica da terceirização que enfraquece o serviço público”, explica.

O diretor cita a preocupação com decisões da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), que terceirizou leitura de contas, manutenção de redes e operação de estações de água e esgoto. Para ele, a forma como investimentos públicos são aplicados beneficia o setor privado enquanto precariza condições de vida e trabalho.

“Em Guarapari, o governo do Estado captou R$ 151 milhões para obras de esgotamento sanitário, ao mesmo tempo em que privatizou o serviço. É dinheiro público para subsidiar lucro privado. Se houvesse prioridade pelo serviço público, seria possível universalizar o saneamento sem concessões privadas”, exemplifica.

A liderança avalia que o momento atual exige atenção redobrada. “A universalização do saneamento só será possível se prestada por empresas públicas, porque aí o interesse coletivo é maior que o lucro”, acrescenta, ao observar como a terceirização crescente das atividades tem prejudicado a eficiência do serviço e a qualidade do atendimento à população.

O principal alerta feito pelo dirigente está na contradição entre recursos públicos disponíveis e a privatização de serviços essenciais. “O governo consegue captar recursos da Caixa Econômica Federal ou de fundos federais para investir em obras de saneamento, mas já privatizou o serviço que deveria ser beneficiado por esse investimento. É uma hipocrisia: dinheiro público sendo usado para subsidiar lucro privado”, critica.

Outro ponto de atenção é a ameaça de privatização de parques e áreas ambientais, que representa a chamada financiarização do meio ambiente. Segundo o a presidente do Sindaema e diretora de meio ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wanusa Santos, a concentração de riqueza e de controle de recursos naturais em empresas privadas e investidores globais compromete a gestão sustentável. “Estamos vendo ofensivas para avançar sobre riquezas ambientais e minerais, muitas vezes guiadas por interesses geopolíticos, não por proteção ambiental ou bem-estar da população”, aponta.

A luta pelo direito à água está intimamente ligada à proteção de áreas naturais e à gestão estratégica dos recursos hídricos. No Espírito Santo, projetos como o Universaliza-ES, que busca modelar a prestação de serviços de saneamento em municípios ainda sem cobertura regularizada, têm sido questionado sobre a forma de operação. Para o sindicato, a alternativa ideal seria a prestação direta por empresas públicas estaduais ou regionais, garantindo eficiência, transparência e priorização do interesse público.

Além do saneamento, a luta ambiental abrange políticas de proteção do solo, da água superficial e subterrânea, das florestas e das áreas de preservação. Entidades e movimentos sociais alertam para a necessidade de planejamento estratégico, fiscalização rigorosa e valorização do serviço público como forma de garantir políticas universais e justas, evitando que o acesso à água e à infraestrutura básica dependa de interesses privados ou de crises financeiras.

O bloco integra cultura popular e mobilização social, com apoio da CUT e expectativa de ampliar a participação de outros sindicatos nos próximos anos. “Queremos problematizar de forma consistente a privatização, o direito à água e o papel do serviço público, e não apenas participar do Carnaval por participar”, afirma Fábio Giori.

Para as organizações, a defesa da água e do meio ambiente pode ser feita com criatividade e engajamento, unindo festa, reflexão e mobilização em um mesmo movimento. Wanusa avalia que resistência é necessária: “Água não é mercadoria. Direito não se vende. Se defende, juntos. E se constrói nas ruas e na folia”, finaliza.

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