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Movimento lança petição para impedir construção ao lado da Pedra da Cebola

Moradores e defensores da causa animal apontam riscos à vegetação e à fauna

Leonardo Sá

Moradores e defensores da causa animal mobilizam um abaixo-assinado contra a proposta de construção de um centro de convivência e de espaços para associações comunitárias no terreno vizinho ao Parque Pedra da Cebola, localizado na Rua Vicente de Oliveira, na Mata da Praia, em Vitória. O grupo afirma que a área, embora pertença ao município, foi incorporada ao parque na gestão anterior e, desde então, passou a receber manutenção regular, com limpeza e conservação da vegetação.

No texto da petição, os organizadores descrevem o espaço como um “terreno vivo”, com presença de árvores antigas, frutíferas e vegetação que contribui para o equilíbrio ambiental do entorno. Segundo o documento, a área serve de habitat para diferentes espécies, como teiús, saruês, saguis e diversas aves, além de abrigar gatos comunitários cuidados por voluntários. Para os signatários, a construção de uma edificação no local representaria supressão de vegetação e risco à fauna que atualmente ocupa o espaço.

Os moradores também manifestam preocupação com os impactos urbanos da proposta. A Rua Vicente de Oliveira é acesso ao estacionamento do parque e já registra fluxo intenso de veículos, especialmente nos fins de semana. O abaixo-assinado argumenta que os imóveis podem ampliar a circulação de carros e gerar sobrecarga no sistema viário da região.

O protetor animal Fernando Furtado de Melo, que encabeça a mobilização, afirma que protocolou representação no Ministério Público Estadual (MPES) questionando a proposta. Segundo ele, a iniciativa foi apresentada à associação de moradores como alternativa à venda do imóvel, autorizada em 2024. Fernando sustenta que a comunidade não foi amplamente consultada antes do anúncio e defende que qualquer mudança na destinação do terreno deveria passar por debate público mais amplo.

De acordo com ele, o espaço concentra o maior número de animais silvestres na área próxima ao parque e funciona como ponto de alimentação e abrigo para gatos abandonados, que hoje são assistidos por voluntários. Fernando também critica o fato de o terreno ter sido tratado, em momentos distintos, ora como área passível de alienação, ora como espaço para equipamento público, apesar de ter sido incorporado ao entorno do parque e mantido como área verde nos últimos anos.

A proposta apresentada pela gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) prevê um espaço com dois pavimentos, para abrigar o centro de convivência do idoso, e espaços para associações comunitárias, descreve a presidente da Associação de Moradores da Mata da Praia, Maria Lúcia Dellatorre, que participou de uma reunião no local. Ela relata que foi procurada pela Secretaria de Ação Social para discutir a necessidade de um espaço próprio para o centro de convivência da região, atualmente instalado em um imóvel locado pelo município, no final de Jardim da Penha.

A discussão sobre o uso da área teve início em 2024, quando a Prefeitura de Vitória encaminhou um projeto de lei que autorizava a alienação de três imóveis municipais por meio de leilão, entre eles o terreno da Mata da Praia, com 619,50 m². O texto foi aprovado em regime de urgência e sancionado pelo prefeito.

Na época, a então presidente da Associação de Moradores da Mata da Praia, Silvia Gomes de Morais, criticou a medida por falta de consulta popular. A dirigente explicou que a área estava abandonada até que a associação pediu ao prefeito anterior, Luciano Rezende (Cidadania), a incorporação ao parque. Desde então, equipes de manutenção passaram a cuidar do espaço, onde há árvores e outras plantas.

Apesar da mobilização ter garantido que o terreno não fosse à leilão e permanecesse sob posse da administração municipal, a atual presidente explicou que desta vez a entidade é favorável à proposta de construção, por avaliar que a destinação para equipamento público atende melhor aos interesses do bairro.

Arquivo pessoal

Fernando tem denunciado falhas no cuidado com o espaço e a fauna residente nas redes sociais e observa que os lagos passam longos períodos com água escura e mal cheirosa, enquanto as aves já passaram meses sem receber a quantidade de alimentação adequada, dependendo da ajuda de voluntários. Em episódio recente, ele expôs uma situação que classificou como um “Natal de horror” no local, após a morte e desaparecimento de animais e registro de ferimentos em sobreviventes.

O voluntário atribui os problemas à “negligência continuada” da gestão Pazolini e critica a autorização para entrada de cães no parque, em 2023, sem estudos de impacto sobre os outros animais. Ele aponta que os protetores alimentam diariamente os gatos, custeiam tratamentos, exames e castrações, e defende que a prefeitura instale câmeras de monitoramento para coibir o abandono de animais, que, segundo ele, ocorre com frequência no entorno.

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