Sexta, 19 Agosto 2022

Prestações revelam domínio da Arcelor e Aracruz na política do ES

Prestações revelam domínio da Arcelor e Aracruz na política do ES

Receber fartas doações de campanha de grandes empresas já é há algum tempo prática corrente entre os candidatos. Mais do que isso. Virou quase regra, principalmente entre os favoritos nos pleitos. Em 2012, antes das eleições, grande era a expectativa para o comportamento das empresas, motivada principalmente pelo distanciamento do Estado dos centros de poder empresarial e por uma possível baixa econômica que, ventilava-se, estaria atingindo as corporações com a crise econômica.

 
Com a divulgação da prestação de contas dos candidatos, feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste mês, ficou claro qual foi a mudança tática das empresas nas doações: ao invés de grandes montantes para poucos candidatos (que era regra anteriormente, em especial no caso dos favoritos), escolheu-se o método “democrático”, encaminhando valores menores para vários candidatos.
 
Mais do que isso, a prestação de contas também mostrou que o domínio financeiro sobre os políticos do Espírito Santo continua na mão de poucos grupos empresariais. Mais concretamente de duas mega-corporações: a ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, e a Aracruz Celulose (Fibria). Ambas as empresas, como se diz popularmente, “molharam as mãos” de muitos candidatos Estado afora – e em número maior nos municípios da Grande Vitória.
 
As duas empresas são grandes responsáveis por impactos sociais e ambientais no Estado, sendo sempre alvos dos movimentos sociais e da população capixaba. Sabe-se que em geral dinheiro gasto por empresas em campanhas políticas não são exatamente “doações”, mas sim investimento. E investimento sempre espera uma contrapartida. À sociedade, que já sabe o que está por vir, pelo jeito, cabe esperar quando o resultado disso virá. 
 
Em Vitória, a doação das duas empresas foi exatamente igual para os três principais candidatos – Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), Iriny Lopes (PT) e o vencedor Luciano Rezende (PPS). No primeiro turno, a Arcelor doou R$ 30 mil para cada um e no segundo, R$ 20 mil. A Aracruz/Fibria foi mais audaciosa, “doando” quase o dobro: R$ 50 mil no primeiro turno e R$ 45 mil no segundo. Luiz Paulo ainda recebeu mais de R$ 75 mil da Suzano Papel e Celulose, em quatro parcelas de R$ 18.851,68.
 
O tucano, aliás, foi o que mais arrecadou na capital: mais de R$ 5,3 milhões, contra R$ 2,2 milhões de Iriny e pouco mais de R$ 2 milhões de Luciano Rezende.
 
Um município que sempre merece atenção quando o assunto é doação de campanha é Aracruz, norte do Estado, sede da empresa. Lá, praticamente 10% da campanha do prefeito eleito, o deputado estadual Marcelo Coelho (PDT), foi bancado pela empresa: R$ 80 mil de pouco mais de R$ 830 mil arrecadados pelo vitorioso do pleito.
 
Na Serra, a Arcelor continuou com o seu método “democrático”, doando R$40 mil para Audifax Barcelos (PSB), vencedor da disputa, e também para o atual prefeito Sérgio Vidigal (PDT). Já a Aracruz, segundo a prestação de contas, só doou para o socialista R$ 50 mil.
 
Já em Vila Velha, o tratamento não foi exatamente o mesmo. Max Filho (PSDB), derrotado no primeiro turno, recebeu mais da ArcelorMittal do que seus adversários Rodney Miranda (DEM), vencedor no pleito, e o atual prefeito Neucimar Fraga (PR): R$ 40 mil contra R$ 30 mil gastos com os outros dois. Já a Fibria não doou para Neucimar, enquanto gastou R$ 50 mil com Max e Rodney. No segundo turno o demista ainda recebeu mais R$ 40 mil da empresa.
 
Além desses, a Aracruz Celulose "elegeu", por exemplo, Claumir Zamprogno em Santa Teresa, e Amadeu Boroto em São Mateus, ambos do PSB. Dois municípios estratégicos para as atividades da empresa, o primeiro por estar na região serrana, para onde a empresa expande seus plantios, e o outro por concentrar as terras quilombolas exploradas pela Aracruz desde a ditadura militar. Essas comunidades lutam para recuperar seu território e são alvos constantes das investidas do Movimento Paz no Campo (MPC), que defende os interesses da empresa e dos grandes proprietários de terras. 

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