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Sábado, 15 Mai 2021

Re-Lata: projeto transforma resíduos em utensílios e arte

relata_cidade_quintal_divulgacao Juliana Lisboa

O grupo Cidade Quintal vem realizando grandes intervenções urbanas, utilizando cores, desenhos e diálogos comunitários para ajudar a ressignificar espaços públicos por meio de pinturas e outras ações. Foi assim em bairros de Vitória como Ilha do Príncipe, Vila Rubim, Ilha das Caieras e Romão. Desde meados de 2019, ademais, o grupo criou uma ação que virou tradição após cada projeto executado: o Re-Lata, no qual as latas de tintas utilizadas nas pinturas, ao invés de lixo, são transformadas em utensílios com um toque artístico, sendo usados para colocar plantas, guardar pertences ou, nos casos dos maiores, transformados em bancos ou lixeiras. 

A próxima edição será lançada neste sábado (17), com a disponibilização de cerca de 45 latas, fruto do último trabalho na Vila Rubim. O lançamento das artes disponíveis será feito durante um debate online pelo Instagram, que começa às 10h, sobre Sustentabilidade Urbana.

Algumas das latas da próxima edição do projeto. Foto: Juliana Lisboa
"O projeto veio do nosso incômodo de perceber a quantidade de resíduo que um projeto de arte urbana que envolve uma dimensão grande pode gerar. Tem uma parte do resíduo material físico e outra do resíduo químico", conta a designer Juliana Lisboa, uma das idealizadoras da iniciativa.

Além das latas em si, os restos de tinta também eram um problema para o descarte. A solução foi reaproveitar. Os resíduos de cada lata são usados para pintar as partes interna e externa das latas com detalhes e desenhos geralmente em cores vivas, característicos das pinturas urbanas feitas pelo Cidade Quintal. "Como aproveitamos os restos de tinta, acabamos seguindo a paleta de cores dos projetos realizados", diz Juliana.

A ambiguidade do nome do projeto é proposital: além do reaproveitamento das latas, a ideia é trazer relatos relacionados com a questão da sustentabilidade. Uma das convidadas para o debate do próximo sábado é Naná Muriel, estilista e empreendedora criativa, que comanda o espaço Casa Flor, no Centro de Vitória, onde foram realizadas as edições anteriores do Re-Lata, quando o espaço se chamava Studio Etá. Agora com o formato online do debate devido à pandemia, o local vai servir como ponto de busca com horário agendado, uma das opções além do delivery para as pessoas terem acesso às latas artísticas.

Naná terá companhia na conversa de Ione Duarte, bioconstrutora e agricultora urbana, integrante do Coletivo Mobilize e da Horta Comunitária Jardim da Capixaba, localizadas no Morro da Capixaba, em Vitória. As latas disponibilizadas pelo projeto terão um valor sugerido (R$ 20 para as pequenas; R$ 30 para as grandes), com toda arrecadação revertida para a campanha de doações de alimentos feita pelo coletivo para moradores em situação de vulnerabilidade na comunidade.

"A contribuição é voluntária. Inicialmente era gratuito, porque nunca tivemos objetivo de monetizar com isso, achamos na verdade que as pessoas que recebem as latas estão nos ajudando a resolver um problema que a gente gera. Muita gente chegava e até estranhava que era só pegar e levar. Então surgiu a ideia de uma contribuição voluntária para ajudar alguma causa. Há um preço sugerido, mas cada um é livre para pagar mais ou menos, de acordo com sua condição", conta Juliana.

Na última edição o apoio foi para o coletivo de pintores da Ilha do Príncipe, que contribuiu com a intervenção no bairro e conseguiu potencializar a celebração de natal na comunidade. "Vimos um potencial de aproveitar esse resíduo, ou melhor, esse ex-resíduo, para transformá-lo também em ações positivas que vão reverberando", conta a designer.

Nesta edição, os próprios desenhos terão detalhes ligados ao projeto apoiado, com desenhos inspirados em frutas, verduras, plantas alimentícias não convencionais, insetos e outros elementos que reforçam a questão da segurança alimentar, uma preocupação do coletivo e da horta comunitária.

Intervenção realizada na Ilha do Príncipe. Foto: Vitor Taveira
O Re-Lata já virou tradição nos trabalhos do Cidade Quintal. "Esse movimento foi pensado para ser acoplado às ações como uma última etapa do nosso processo de pintura, levando como instrução de trabalho juntar as latas usadas, que vão ocupando o espaço do nosso estoque durante todo o trabalho", conta Juliana Lisboa. Terminadas as intervenções, as latas não são lavadas, o que implicaria verter resíduos tóxicos para as águas. As tintas secam ou são reutilizadas. Integrantes do núcleo de criação do projeto, geralmente de duas a quatro pessoas trabalham então na confecção dos desenhos que dão um ar especial às latas que poderiam ter virado lixo. O trabalho de pintura das 45 latas que serão disponibilizadas no sábado foi feita aos poucos e durou cerca de três semanas.

O resultado das últimas edições tem sido um sucesso, e as latas se esgotam rapidamente. Juliana sugere aos interessados para ficarem atentos. "É muito comum pessoas entrarem em contato um ou dois dias depois e lamentarem porque já esgotou".

Nesta edição, será possível retirar as latas em horário agendado na Casa Flor ou solicitar entrega nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, o que implica a adição de uma taxa para o entregador. O catálogo de peças e as encomendas serão disponibilizadas por meio de Whatsapp que será divulgado pela produção ao final da live de sábado.

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