Redes de pesca em espera foram a causa da morte de tartarugas em Vila Velha. Quatro animais foram encontrados sem vida nesse fim de semana, fato que gerou revolta nos moradores da região da Praia da Costa, que chegaram a suspeitar de “atropelamento” por jet ski. Segundo o Projeto Tamar, porém, havia diversas marcas de redes nos animais, atestando a real causa. As tartarugas foram analisados por biólogos.
Paulo Pinheiro Rodrigues, gestor do Centro de Visitantes do Tamar na Capital, afirma que as redes de espera são a principal causa de mortes de tartarugas marinhas na baía de Vitória. Ele informou que na região é feito um monitoramento de praia por uma empresa, sob coordenação do Projeto Tamar, no intuito de diminuir ao máximo os casos de mortes dos animais.
Os moradores do local afirmam que há muitas tartarugas na região, principalmente pela grande quantidade de sobras de peixes deixadas pelos barcos de pescadores.
O Projeto Tamar divulgou um levantamento atestando que todas as cinco espécies de tartarugas marinhas existentes na costa brasileira mostraram recuperação dos ciclos reprodutivos. O Espírito Santo acompanhou esse aumento nacional. “Quando chegamos, as populações estavam diminuindo. Agora a reprodução está aumentando. Hoje, algumas espécies têm 20 vezes mais tartarugas do que quando chegamos. Podemos ver isso pelo número de ninhos que têm nas praias”, disse Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Tamar.
Para o Projeto, o crédito para o fato deve ser dado às ações desenvolvidas nesses 33 anos de existência do Tamar. Apesar de não terem cessado as ameaças e mortes às tartarugas, hoje há mais consciência no que tange a matança direta dos ovos e dos animais.
Para Paulo Rodrigues, o que antes era descaso se tornou, inclusive, em possibilidades de trabalho para diversas comunidades. Em Regência, no norte do Estado – onde há a maior base do Tamar no Estado –, por exemplo, mais de 40 famílias vivem da produção de itens que têm referência à preservação das tartarugas. Outro fator foi o crescimento do turismo sustentável, também baseado na prevenção dos animais.
“Antigas práticas foram transformadas”, afirma Rodrigues. “Hoje, as pessoas têm consciência de que é melhor o animal vivo do que morto”.