Sexta, 19 Agosto 2022

Vitória é a capital com maior percentual de alérgicos do País

A cidade de Vitória tem 35 pessoas sofrendo de alergias para cada 100 moradores. A informação é da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia do Espírito Santo, que ressalta as conseqüências da qualidade do ar na Capital há décadas.



A relação entre poluição do ar e o aumento de doenças respiratórias não é novidade para ambientalistas, que vêm alertando sobre a péssima qualidade que os moradores da Grande Vitória respiram. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a Capital capixaba é campeã na concentração de dióxido de enxofre (SO2) por metro cúbico na atmosfera.



Com a concentração de 17 microgramas de enxofre por metro cúbico de ar, 13 a mais do que a cidade de São Paulo, os moradores de Vitória estão sujeitos não apenas ao surgimento de doenças respiratórias, mas ao agravamento de doenças já existentes. E, nem de longe, Vitória possui uma frota veicular próxima à de São Paulo, alertam os ambientalistas.



Segundo o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), 67% do material particulado encontrado no ar de Vitória vem da ressuspensão de partículas que estão no chão, e que isso ocorre através da passagem de veículos ou mesmo pela ação do vento. E apenas 23,6% destas emissões são emitidas pelas empresas de mineração e siderúrgicas, no caso a Vale e a ArcelorMittal. Porém, o dado é contestado por ambientalistas.



Segundo Eraylton Moreschi, do movimento Pó Preto Vix, é necessário deixar claro que a ressuspensão de partículas nada mais é do que levantamento das emissões que já haviam sido emitidas por outras fontes, entre elas, as industriais. E que trituradas pelos veículos se tornam ainda mais ameaçadores à saúde da população.



“As ressuspensões estão sendo tratadas no Estado como emissões, quando nada mais são do que material que cai das indústrias e dos carros no chão e são triturados e suspensos com o trânsito de veículos e com o vento. Hoje, o cidadão capixaba ainda não consegue dissociar a poluição do ar na Grande Vitória, mas isso é possível”, ressaltou Moreschi.



Para ele, falta ao órgão ambiental que ele admita qual é a responsabilidade das indústrias em questão sob as emissões que se depositam nas ruas e casas da cidade.  Segundo seus cálculos, tanto a mineradora quanto a siderúrgica são responsáveis por 79% do material particulado despejado em Vitória. Ao todo, ressalta, cada uma emite 633,33 kg/h (55%) e 278,33 kg/h (24,17%) de material particulado respectivamente.



As ressuspensões transformam efeito em causa, enquanto pouco se fala das emissões poluidoras das indústrias que funcionam no Complexo de Tubarão. Para minimizar os impactos à saúde do capixaba, lembra o ambientalista, é preciso tratar as principais fontes de emissões na cidade, a Vale e a ArcelorMittal, reduzindo os índices de emissões permitidos atualmente e conseqüentemente garantindo a qualidade de vida da população.



Apesar disso, a avaliação sustentada há anos pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), é que apesar da  poluição superar em muitos casos os níveis tolerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a qualidade do ar na Capital, é boa.



Isso ocorre, porque o Estado segue a resolução estipulada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), utilizada como parâmetro para as emissões no Estado. Porém, a mesma resolução deixa claro que os órgãos ambientais estaduais podem e devem definir seus próprios parâmetros de emissões, de acordo com as especificidades locais, o que ainda não foi feito.



Atualmente, o Grupo Respira Vitória, formado por iniciativa do vereador Serjão Magalhães (PSB) estuda novos parâmetros para as emissões em Vitória, mas ainda sem data para que novas regras sejam estabelecidas.

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