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Segunda, 30 Novembro 2020

Apreciadores de nuvens

Por que não criam um anti-Nobel para os maiores poluidores? (sem o R$ milhão e meio)

Sugestão da coluna: por que não criam um anti-Nobel para os maiores poluidores? (sem o R$ milhão e meio)

A Associação dos Apreciadores de nuvens envia email comunicando que já tem mais de 10 milhões de apreciadores e 37 milhões de curtidas na sua página (deles) no Facebook. Nada comentaram sobre o Twitter, portanto, alguma coisa não soa bem. Há quem chame esses privilegiados de preguiçosos, mas num mundo conturbado por velha poluição e nova doença, acho que eles estão certos. Plástico ou planeta, eis a questão. Sua decisão pode ser decisiva para o futuro da humanidade.

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Primeiro nos mandaram reciclar, depois descobriram que reciclar custa caro e também polui, então vamos reusar. Ajuda mas não resolve, e a receita sem erro é gastar menos. O que aliás os pobres já fazem, e não por opção. Imagina um mundo onde todos fossem ricos…a terra já teria virado poeira há muito tempo. O consumismo está encravado na alma humana, induzido pela propaganda coletiva e a vaidade individual. Mas é tudo igual, ricos e pobres se irmanam no mesmo desperdício, desinteresse e descuido.

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Nas cidadezinhas do século passado, ruas calçadas com paralelepípedos de pedra, quando alguém não trabalhava diziam que era contador da prefeitura. Como assim, ele é formado em contabilidade? Não, mas anda pra lá e pra cá o dia inteiro contando paralelepípedos. Vai que alguém roube algum? Isso num tempo em que não existia televisão, telefones residenciais ou celulares. A melhor forma de entretenimento era o rádio, e no domingo tinha cinema. Um filme por semana. Acho que isso valorizava a diversão. Hoje, com tantos canais e excesso de filmes e seriados, ficamos muito exigentes. Parar de gastar: por que uma televisão ligada em cada cômodo para ver o mesmo filme?

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Enquanto isso eu conto árvores: minha rota para caminhadas pseudo-diárias é ladeada por sinuosas alas de verdes sentinelas - arvoredos que abundam na Flórida, muito usados na maioria dos condomínios por terem folhagem densa (privacidade) e serem de fácil conservação. Sendo que muitos condomínios são maiores que o Piauí, imagina-se a quantidade. Não mais que de repente, alguma droga vinda provavelmente da China está matando essas plantas. Parar de gastar incluiria replantar quilômetros de árvores, agarradinhas feito casal de namorados.

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Mas árvores podem e merecem o esforço - elas retribuem, limpando o ar e escondendo o quintal das casas, muitos com churrasqueiras e piscinas, que agora ficam expostas à curiosidade dos passantes - os quintais, não os passantes. Causa da morte anunciada: a poluição que nos rodeia. Felizmente acharam um antídoto, a fórmula do Dr. Frankenstein para ressuscitá-las. Não vamos acusar a China pela nosso próprio desleixo ambiental, mas o remédio talvez tenha vindo de lá. E novas folhinhas verdes já despontam aqui e ali, verde que te quero verde.

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Por que o bicho homem, tão inteligente e superior, capaz de mobilidade mais rápida que os pássaros, desenvolvendo altíssima tecnologia que às vezes mata e às vezes cura, bem protegido e bem alimentado - nem todos, mas mesmo assim - com raras exceções vive no máximo cem anos, e mal? Enquanto isso, as árvores, grudadas ao solo e vivendo de vento e água, dormindo ao relento e sujeitas ao ataque de inimigos e aos caprichos da natureza, sem terem como se defender ou correr do perigo, se deixadas em paz vivem muito mais e melhor. Acho que devemos nos alimentar de clorofila.

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A árvore mais antiga do mundo é um pinheiro da espécie Pinus longaeva, que vegeta na montanhas da Califórnia: 5.067 anos. Portanto mais velha que as pirâmides do Egito. A longeva Pinus vive numa floresta onde o clima é gelado e a natureza severa, com escassez de nutrientes. Portanto, não é a boa comida que nos mantém vivos. Esses monumentos vegetais deram a sorte de não nascer no Brasil, onde já teriam virado cerca há alguns milênios.

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O (C2H4)n é um dos piores vilões dessa história, porque vem disfarçado de bom sujeito Popularmente chamado de polietileno, vira sacolas de todo tipo: supermercados, congelados, industriais; talheres, pratos e copos descartáveis; até o filme plástico que o Dexter usa em suas vítimas. Suas mil e uma utilidades não caberiam nessa coluna. Foi criado acidentalmente pelo químico alemão Hans von Pechmann, que deveria receber o anti-Nobel da poluição ambiental. Aqui fica a sugestão: por que não criam um Prêmio anti-Nobel para os maiores poluidores?

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