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Ação contra Lula deve pressionar lideranças petistas no Estado

A 24ª fase da Operação Lavo Jato, batizada de “Operação Aletheia”, deflagrada nesta sexta-feira (4), atinge diretamente a maior liderança petista do país, o ex-presidente Lula. Enquanto Lula prestava depoimento na sede da Polícia Federal, pessoas prós e contra o ex-presidente faziam manifestações segurando bandeiras do PT de um lado, e do outro, do Brasil, representando que pedem punição exemplar para o ex-presidente. O episódio mexe com a política nacional e tem reflexos nas articulações das principais lideranças do Estado. 
Neste sentido, a atenção da classe política se volta para o posicionamento do governador Paulo Hartung (PMDB). Eleito no palanque do presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), Hartung desde o início do seu governo vem mantendo uma postura oscilante em relação às movimentações nacionais envolvendo o PT e, sobretudo, o governo federal.
Após a eleição, Hartung buscou aproximação do governo federal para tentar garantir a interlocução com a presidente Dilma Rousseff. Embora, a movimentação não tenha viés partidário, deu espaço em seu governo ao partido, espaço esse ocupado pelo secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, João Coser. 
Quando deixou o PMDB, há cerca de 45 dias, o senador Ricardo Ferraço chegou a convidar Hartung a deixar o partido, que insistia em permanecer ao lado do governo Dilma. Mas o governador preferiu manter sua filiação no PMDB, justamente com a justificativa de que como governador precisaria assegurar a articulação com o governo federal. 
Hartung tentou no segundo semestre de 2015 projetar sua imagem em nível nacional como uma espécie de articulador para uma recuperação econômica do País e passou a defender que o momento não cabia impeachment da presidente Dilma. 
Mas deixou de fazer essa defesa após uma visita secreta do vice-presidente Michel Temer, que antecedeu a tal carta de desabafo do peemedebista. Temer estaria iniciando o processo de articulação de uma descolagem da imagem do PMDB do governo Dilma, visando à sucessão presidencial em 2018, em que ele deixasse de ser coadjuvante. Para isso, precisava de uma adequação da posição de Hartung
O governador passou então a se omitir do debate nacional, evitando posicionamentos contundentes sobre a discussão. No início da semana, com a filiação de Ricardo Ferraço ao PSDB, uma movimentação palaciana tentou emplacar a possibilidade de Hartung também migrar para o ninho tucano. 
Mesmo assim, Hartung seguia sem se posicionar sobre a discussão nacional, o governador parecia esperar um desfecho da situação para se posicionar. O evento desta sexta-feira (4) é colocado como o ápice da Operação Lava Jato e coloca as lideranças políticas, que até preferiram as sobras, em foco. Por isso, pode acelerar a descida de Hartung do muro. O governador que nunca gostou de correr riscos, pode ser pressionado a se definir por um dos dois lados. 
Mas para isso terá que resolver uma questão: a influência de seu posicionamento na manutenção da aliança com o grupo majoritário do PT. O partido representado em seu secretariado por Coser, tem uma função que afeta as ruas, onde deve se estabelecer  palco das repercussões da situação política nacional. 
No governo, o PT se anulou em suas bandeiras, uma vez fora do Palácio Anchieta, sua militância ficará livre para questionar e protestar contras as políticas públicas que vêm sendo negadas no governo Paulo Hartung, como a questão da educação, por exemplo. Com a militância na rua, o governador poderá ter problemas em manter sua governabilidade até 2018.
Lideranças do PT terão de mostrar a cara
O governador Paulo Hartung não será a única liderança na berlinda no Estado com os últimos acontecimentos. As lideranças do PT, principalmente, terão que se posicionar sobre os eventos ocorridos em Brasília. O problema é que nem todas estão dispostas a assumir a defesa do partido.
Vale destacar que a desidratação do PT no Estado não tem relação com as ações ocorridas no campo nacional e sim com as escolhas políticas de uma ala pragmática do partido, que se aliou a Paulo Hartung e abandonou as ruas em troca de acomodação política. 
Não é o caso dos deputados federais, Helder Salomão e Gilvaldo Vieira, que vem se manifestando pelas redes sociais, seja em declarações à imprensa e até mesmo nas caminhadas que vem fazendo em suas bases, têm se posicionado de forma firme. 
O que chama atenção é que Helder Salomão é hoje a liderança petista com maior condição eleitoral do partido. Ele decidiu não partir para a estratégia de preservação da imagem e saiu em defesa do partido. Posição diferente vem desempenhando o secretário João Coser, que tem evitado entrar nesse debate, preservando seu posto no governo. 
Na Assembleia Legislativa, a posição da bancada petista também é de silêncio. Os dois parlamentares do partido, Padre Honório e José Carlos Nunes não têm feito uma defesa mais acuda do partido, apenas quando provocados. Se o PT não estivesse no governo Hartung, a posição dos deputados poderia ser diferente. 
Parte do partido, contrário à participação do PT no governo Paulo Hartung tentou desmanchar essa aliança, mas como Coser tem hegemonia no partido, não consegue aprovar a saía dentro do diretório estadual. Os desenrolar dos próximos dias, porém, podem mudar desestabilizar essas movimentações, já que a militância petista já vem se mobilizando e deve pressionar um posicionamento de seus representantes. 

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