O PSDB nacional deve chegar a um consenso sobre a escolha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para a presidência nacional do partido, na convenção do próximo dia 9. Isso também consolida Alckmin como o presidenciável do partido em 2018. Com perfil de centro, o tucano poderia ser o nome que o governador Paulo Hartung (PMDB) defende como um caminho de equilíbrio diante da polarização esperada numa eventual disputa entre Lula e Jair Bolsonaro.
Mas o perfil de Alckmin não deixa espaço para o projeto de Hartung, que também se coloca como alternativa de centro. O governador de São Paulo precisaria compor com um vice que oferecesse algo que lhe falta como, por exemplo, os votos dos nordestinos. Com a candidatura de Alckmin ganhando corpo e a desistência do apresentador Luciano Huck, Hartung fica sem opção no cenário nacional.
Todas as tentativas de composição de Hartung, até aqui, não foram exitosas. Ele buscou acomodação com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), quando havia um risco maior de o presidente Michel Temer não se sustentar no governo e o demista assumir o comando do País.
Chegou a ser cogitado como um nome para compor com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, mas a conversa não seguiu adiante. Barbosa articulava sua entrada no PSB, onde Hartung não teria espaço, já que seu maior rival, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), tem uma posição forte na nacional e não aprovaria a parceria.
Hartung também se movimentou em direção ao prefeito de São Paulo, João Doria, mas suas pretensões caem por terra com o consenso tucano em torno de Alckmin. A última investida de Hartung foi com o apresentador de TV, Luciano Huck, que desistiu da corrida presidencial nessa segunda-feira (27), com uma carta publicada na Folha de S. Paulo.
A tendência seria uma tentativa de aproximação com o governador de São Paulo, já que ele seria o nome que Hartung aponta como uma possibilidade de fuga dos extremismos, mas para os meios políticos, a chapa com Alckmin absorve o governador capixaba.
Isso porque os demais nomes procurados por Hartung têm uma característica em comum, a falta de um perfil de gestor, que seria o produto oferecido pelo governador capixaba para a composição. Hartung investiu em uma ação de marketing para fora do Estado, se colocando no cenário eleitoral, tomando como base uma suposta recuperação econômica e de gestão no governo do Espírito Santo. Assim, ele complementaria a chapa presidencial.
No caso de Alckmin, o governador de São Paulo já tem esse perfil de gestor e precisaria de um vice com perfil político, para ampliar seu capital. De preferência um nome do Nordeste do País, onde o PSDB não tem tanto apelo eleitoral. Isso pode pôr um fim ao sonho nacional do governador Paulo Hartung, fazendo com que ele se volte novamente para o projeto local, ou seja, para a reeleição ou para uma disputa ao Senado.

