Boa parte dos deputados estaduais aproveita os primeiros dias de janeiro para descansar ou visitar prefeitos aliados que foram empossados no último domingo (1). A partir da segunda quinzena, o debate sobre a eleição da Mesa Diretora deve retornar com fôlego ao cenário político. Embora haja movimentação dos grupos prós e contra o atual presidente Theodorico Ferraço (DEM), a expectativa é de que ele seja reconduzido pela quarta vez consecutiva à presidência da Casa.
No grupo, que discute uma candidatura alternativa, ainda não se fala em nomes. Entendem que Ferraço, embora seja um bom presidente, defende interesses próprios e com a expectativa de que 2018 será um ano difícil para a reeleição dos deputados, o grupo estaria atrás de mais proteção.
Alguns nomes chegaram a ser cogitados na disputa, mas o grupo não estaria reconhecendo nenhum deles como um legítimo representante. Entre os que se colocam para a discussão estariam o líder do governo Gildevan Fernandes (PMDB) e o presidente da Comissão de Finanças, Dary Pagung (PRP). O que estaria mais próximo de uma construção de palanque é o vice-líder do governo na Casa, Erick Musso (PMDB), mas a ligação com o Palácio Anchieta ainda seria um obstáculo para essa articulação avançar.
Por fora do grupo, o ex-secretário de Assistência Social, deputado Rodrigo Coelho (PDT), também tenta emplacar sua candidatura, mas teria pouco apoio dos colegas. Sem o selo palaciano, os deputados não reconhecem a ordem do governo para eleger o pedetista.
Diante da falta de lideranças com o mesmo peso político, a tendência é que até o dia 2 de fevereiro os parlamentares cheguem à conclusão que o mais prudente é manter Ferraço na presidência da Mesa. Até o momento ele é o único que se coloca publicamente como candidato na Casa.
Para alguns deputados, as movimentações da eleição de 2015 servem de lição. À ocasião, um grupo de deputados ensaiou emplacar uma candidatura alternativa, por fora das costuras do governo, mas o grupo foi desarmado pelo Palácio Anchieta às vésperas da eleição. Por isso, a expectativa é de que as movimentações sejam apenas para aquecer o debate e não tenham um efeito prático de tirar a presidência das mãos de Ferraço.

