Com a entrada do presidente da Comissão de Finanças da Assembleia, deputado Dary Pagung (PRP), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Empenhos, a expectativa é de que a base governista consiga vencer a batalha com o grupo político de Renato Casagrande (PSB). A estratégia da CPI, orquestrada pelo Palácio Anchieta, é incluir Casagrande entre os indiciados.
Embora o relator, deputado Euclério Sampaio (PDT), já tenha concluído e registrado o relatório, a tendência na reunião desta quarta-feira (18) é que os aliados do governador Paulo Hartung apresentem voto de divergência. Embora seja novato na Comissão e não tenha participado dos trabalhos da CPI, que começaram em abril do ano passado, Pagung ficaria encarregado da manobra de apresentar o voto divergente ao relatório. Ele alegaria a necessidade de o relatório fazer constar o nome de Casagrande na lista de inciados, que já conta com cinco ex-secretários.
A tarefa foi dada a Dary Pagung porque ficaria ainda mais evidente que se trata de uma manobra palaciana se a iniciativa partisse do líder do governo da Assembleia, Gildevan Fernandes ou pelo vice-líder Erick Musso, ambos do PMDB. Por isso, seria interessante que a proposta viesse de um deputado “neutro” – embora todos saibam que Pagung é fiel ao governador. A primeira tentativa do Palácio Anchieta teria sido o deputado Padre Honório (PT), que não teria demonstrado firmeza para fazer a articulação.
O que chama a atenção é a alegação que a tropa de choque do governador Paulo Hartung pretende apresentar. A tese é de que Casagrande seria corresponsável pelos gastos sem os devidos empenhos porque sabia das movimentações financeiras.
Uma argumentação que vale para o ex-governador, mas não para o atual. Nos dois primeiros mandatos do governador Paulo Hartung (2003 a 2010), o Estado gastou R$ 25 milhões na obra do Posto Fiscal José do Carmo, em Mimoso do Sul, que nunca saiu do papel. A defesa de Hartung alega que ele não tem responsabilidade sobre o desperdício do dinheiro público porque não era ele o ordenador de despesa, empurrando claramente o problema para os secretários.
Nos meios políticos o entendimento é de que a intenção do Palácio Anchieta é incriminar Renato Casagrande no relatório da CPI dos Empenhos para que o documento funcione como um antecedente para que a base governista tenha argumentos para rejeitar as contas do socialista, relativas a 2014. Com isso, Casagrande torna-se ficha suja, e fica fora do jogo político do Estado para 2018.
Credenciais para fazer a manobra Pagung tem, em 2014, na presidência da Comissão de Finanças, o deputado foi um dos principais articuladores do pedido de rejeição de contas de Renato Casagrande, mesmo com o parecer do Tribunal de Contas Estadual pela aprovação do Exercício de 2013. Mesmo com o parecer da Comissão Finanças pela rejeição, o plenário da Assembleia após muita queda de braço aprovou as contas com ressalva.

