Na ocasião do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, o PT nacional passou a defender a chamada guinada à esquerda. De outro lado, os partidos mais conservadores passaram a defender uma linha voltada à direita, numa clara posição antagônica ao PT e seu legado. Mas enquanto os entusiastas dos dois lados se digladiam nas redes sociais, alianças insólitas estão sendo costuradas Brasil afora.
É o que mostrou uma reportagem da Folha de S. Paulo na sexta-feira (1) sobre as articulações no Nordeste do País. Segundo a reportagem, o DEM e o PT estão próximos de alinhar uma união para a disputa eleitoral do próximo ano no Ceará, Paraíba e Maranhão. Os partidos são resultado de especificidades locais e não devem refletir no cenário nacional.
Na Paraíba, PT e DEM estarão juntos em apoio ao candidato do PSB João Azevedo como sucessor do também socialista Ricardo Coutinho e pode ter candidatos ao Senado ou do PT ou do DEM ou de ambos. No Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) enfrenta a ex-governadora Roseana Sarney também com o apoio de DEM e PT. No Ceará, o DEM já faz parte da base do governador petista Camilo Santana e vai apoiá-lo à reeleição.
As movimentações entre PT e DEM no Nordeste abrem várias expectativas e servem de boa leitura para os meios políticos locais. No Espírito Santo, os dois partidos não se alinham e dificilmente estariam juntos, mas há outras possibilidades a serem analisadas.
O PT de João Coser deixou a base do governador Paulo Hartung e caso ele permaneça no PMDB, não haveria como o partido, que tem parte de seus membros fiéis ao governador, continuar com ele. O PT ainda não sinaliza para a construção de candidaturas majoritárias próprias e precisa se alinhar a um palanque para dar sustentação à eventual candidatura de Lula à Presidência da República em 2018.
Apesar do desgaste do partido, o PT tem ainda um capital de votos que não pode ser desprezado pelos interessados na disputa estadual. Se com Hartung a conversa pode não prosseguir, com o PSB há chances. Tanto que Coser e Renato Casagrande já conversaram sobre o assunto. Mas a costura vai depender da movimentação nacional, já que o PSB ainda não se encaixou em um palanque. O partido trabalha com quatro possibilidades: candidatura própria, acordo com a Rede, de Marina Silva; com o PSDB, de Geraldo Alckmin e em uma vertente menor, retorno da aliança com o PT.
Outra conversa que pode dar jogo para o PT é a reedição da aliança com o PDT, com quem o partido coligou na eleição de 2014 na proporcional. A coligação PT-PDT garantiu três vagas na Câmara dos Deputados e cinco na Assembleia Legislativa. Mas isso também depende da articulação em torno do nome do presidenciável Ciro Gomes, que hoje é arredio a uma composição com o PT.

