A busca de uma acomodação capaz de garantir a eleição e a formalização de acordos no contexto nacional deixam indefinidas até março as alianças partidárias no Espírito Santo. Os partidos se esforçam para garantir chapas para a Câmara Federal, mas ficam na dependência de outras instâncias.
O PT, PDT, PSB, Psol e outros partidos situados mais à esquerda estão longe de definirem as alianças estaduais, embora as negociações já estejam avançadas em nível nacional. Muita água ainda vai correr por força das particularidades de cada reduto eleitoral e potencial de votos de cada candidato.
Na Serra, por exemplo, o deputado federal e ex-prefeito do município, Sérgio Vidigal, presidente do PDT no Estado, retarda a tomada de decisão, apesar de o acordo já negociado entre seu partido e o PT para a eleição presidencial.
Mesmo com a reeleição praticamente assegurada, considerando o alcance de 90 mil votos, Vidigal terá que fechar alianças que permitam a construção de um palanque no Estado para o candidato a presidente da República Ciro Gomes, do seu partido.
Bem colocado, Sérgio Vidigal, no entanto, não tem cacife que possibilite ao PDT eleger outro deputado federal na bancada do Espírito Santo.
Enquanto aguarda, o PT prossegue conversando com lideranças do PCdoB, PPL, Psol e, também, do PSB, considerado o mais complicado, quando se trata da formar chapa para concorrer à Câmara Federal.
No mesmo ritmo, trabalha para evitar a saída do deputado federal Givaldo Vieira, com os dois pés fora do PT, depois de perder no tapetão a eleição para presidente do partido para João Coser.
Com o PSB, o quadro é mais complexo, por força da crise de grandes proporções na cúpula partidária, principalmente em São Paulo, e da falta de potenciais candidatos com densidade eleitoral no Espírito Santo.
O PSB tem perspectiva de ampliar suas bases levado pelo crescimento da candidatura do ex-governador Renato Casagrande ao Palácio Anchieta.
No entanto, quando se trata de candidatos a federal, conta apenas com um quadro bem colocado no cenário político: o deputado federal Paulo Foletto, com reduto eleitoral em Colatina. Sozinho, nada poderá fazer para ampliar a representação partidária na Câmara.
No contexto nacional, o partido passa por conflitos internos envolvendo o governador paulista e candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, e seu vice, Márcio França, do PSB, que deve assumir o governo em abril. Enquanto Alckmin parte para um lado, seu substituto deve tomar outro caminho, segundo previsão do mercado político, o que poderá ampliar o racha.

