Alunos da Escola Estadual Conde de Linhares, a mais tradicional de Colatina, fizeram uma manifestação no Centro da cidade na tarde dessa terça-feira (1) contra a implantação do projeto Escola Viva na unidade. O protesto teve início por volta das 15 horas e durou cerca de uma hora para tentar chamar a atenção da população sobre a pressão que estão sofrendo da Secretaria de Educação para acolher o programa.
Na última sexta-feira (27) terminou o prazo para a as matrículas no ensino médio e os alunos do nono ano do ensino fundamental não puderam se matricular no primeiro ano, porque as vagas não foram abertas no sistema da Secretaria de Educação.
Essa movimentação aumentou o receio da comunidade escolar de que o governo do Estado esteja pretendendo implantar na escola o programa Escola Viva, mesmo depois de as assembleias setoriais da escola rejeitarem a proposta.
A manifestação começou em frente à Câmara de Colatina e seguiu até à Superintendência Regional de Educação. Uma comissão de estudantes foi recebida na Superintendência, mas a resposta para as dúvidas sobre as matrículas não foi esclarecida.
O Ministério Público também foi à escola nessa terça para apurar a situação. Sem respostas sobre as matrículas, muitos pais procuraram o órgão ministerial para denunciar a situação. Se o problema não for solucionado, novas manifestações devem ocorrer. Caso o impasse continue, os alunos planejam fechar a ponte Florentino Avidos como forma de protesto a não abertura das matrículas.
A revolta dos estudantes é porque a decisão da comunidade escolar não está sendo respeitada. Pais e alunos preferem manter o ensino regular no Conde de Linhares, por causa dos cursos técnicos que são tradicionalmente oferecidos na unidade. Só este ano a escola deve formar oito turmas, entre cursos médios integrados de Modelagem, Informática e Administração.
Mas a boa estrutura do Conde e o excelente desempenho dos alunos em provas como as do Paebes (Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo) chamaram a atenção da Sedu para a implantação do programa na unidade. O governo estaria buscando as melhores escolas para abrigar o Escola Viva e colher os frutos com o desempenho já existente dos estudantes. Isso legitimaria o programa do governo do Estado, que sustentou a campanha eleitoral do governador Paulo Hartung (PMDB).
Câmara
A insatisfação da comunidade escolar chegou também à Câmara Municipal e esquentou a sessão dessa segunda-feira (30). O vereador Mario Pinto (PSB) se pronunciou favoravelmente ao movimento dos estudantes e em defesa da manutenção dos cursos técnicos na Conde de Linhares.
Os estudantes também se pronunciaram sobre o assunto e foram acompanhados por colegas e pais. Eles levaram o edital de adesão ao sistema Escola Viva que não está sendo respeitado.
Apesar da manifestação dos estudantes, o clima na escola é de apreensão. Já que professores e alunos estariam sofrendo pressão para não se pronunciar sobre o assunto.

