Legislativo vive pressão por tentativa do prefeito de adiar eleição da Mesa Diretora

O vereador de Vitória Anderson Goggi (Republicanos) anunciou na semana passada que se licenciaria por 15 dias da Presidência da Câmara. Nesta segunda-feira (16), porém, já voltou a comandar as sessões. Em discurso no plenário, afirmou que precisou se ausentar por “motivos de saúde” e citou a “carga emocional” de presidir o Legislativo.
“Tem doenças que são silenciosas. E parece que não, você deixa de tomar um remédio, deixa de tomar alguma coisa, e isso impacta diretamente no nosso dia a dia”, comentou Anderson Goggi, citando que ficou alguns dias em casa por recomendação médica. Apesar do retorno, ele deixou claro que isso não significava que ele estaria “100% nas agendas”.
O pedido de licença ocorreu em meio a um momento de pressão sobre a Câmara de Vereadores. O prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) defende uma mudança no Regimento Interno do Legislativo para que a renovação da Mesa Diretora, que sempre acontece na primeira quinzena de agosto, seja adiada para depois das eleições gerais de outubro deste ano.
Cinco vereadores passaram a defender a alteração da data, dentre eles, três do Republicanos, partido do prefeito: o próprio Anderson Goggi; o primeiro secretário, Davi Esmael; e o segundo vice-presidente, Luiz Emanuel. Além deles, estão o primeiro vice-presidente e líder de governo, Leonardo Monjardim (Novo), e Armandinho Fontoura (PL).
Entretanto, os demais 16 vereadores resistem à ideia de adiar a eleição. Um deles, Dalto Neves (SD), tem sido cotado como pré-candidato a presidente. Nos últimos dias, uma foto do grupo passou a circular nas redes sociais, como uma espécie de demonstração de união.
Com isso, segundo fontes que acompanham as movimentações da Câmara, Lorenzo Pazolini teria sinalizado com a possibilidade de exonerar ocupantes de cargos comissionados na prefeitura ligados aos vereadores do “grupo dos 16”, a exemplo de Aylton Dadalto (Republicanos).
Pazolini deverá deixar a prefeitura em breve para se candidatar a governador. Portanto, o próximo presidente da Câmara estará na linha de sucessão direta da atual vice-prefeita, Cris Samorini (PP). A avaliação, segundo informações de bastidores, é de que o atual chefe do Executivo consideraria ter mais chances de garantir um aliado seu na linha sucessória no caso de uma eventual vitória na disputa ao Governo do Estado.
A polêmica sobre a sucessão da Mesa Diretora da Câmara de Vitória foi abordada por alguns vereadores, mas os parlamentares evitaram tocar no assunto diretamente. Professor Jocelino (PT) reclamou do que chamou de tentativas de interferência do Poder Executivo, falando que a Câmara tem atuado como “secretaria da Prefeitura de Vitória”.
Luiz Emanuel, por sua vez, argumentou que “não há uma completa separação entre os poderes” e que “já viu de tudo” no Legislativo, até mesmo capangas armados em outras ocasiões do passado, quando atuava como assessor parlamentar. O vereador da base governista defendeu ainda que os parlamentares não devem “apressar” a discussão a respeito da eleição da Mesa.
Vila Velha e Serra
Questões relacionadas às Mesas Diretoras das Câmaras de Vereadores também estão em evidência em outras duas cidades da Grande Vitória. Em Vila Velha, a renovação da Mesa está prevista para junho. O atual chefe do Legislativo, Osvaldo Maturano (PRB), foi eleito ano passado com apoio de Arnaldinho Borgo (PSDB), mas agora o prefeito teria preferência pelo vereador licenciado Joel Rangel (Podemos), atual secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade – ou seja, um nome de fora do Legislativo.
Na Serra, um grupo de vereadores quer adiantar a renovação da Mesa Diretora, tendo em vista que três ocupantes foram afastados da Câmara por causa de acusações de corrupção. Entre eles estavam justamente o presidente da Casa, Saulinho da Academia (PDT), além do primeiro e segundo secretários, Cleber Serrinha (MDB) e Wellington Alemão (Rede), respectivamente.
O primeiro vice-presidente, William Miranda (União), passou a chefiar o Legislativo, e Raphaela Moraes (PP) passou da segunda para a primeira vice-presidência. O vereador Paulinho do Churrasquinho (PDT) foi inicialmente designado para secretariar, e depois foi trocado por Andreia Duarte (PP).
Um requerimento de antecipação da eleição chegou a ser votado na semana passada e foi derrotado, mas a polêmica continua. Parte dos parlamentares considera que os afastamentos prejudicaram totalmente a regularidade das ações da Mesa Diretora, mas William Miranda defende que o Regimento Interno tem sido seguido à risca.

