Terça, 19 Outubro 2021

Ano eleitoral às portas, começam as articulações para formação de chapas

contarato_neucimar_rocha_-Edilson_Rodrigues_senado_leonardo_sa Ag.Senado/Leonardo Sá

A menos de um ano das eleições gerais de 2022, lideranças e partidos políticos intensificam as articulações em torno da formação de chapas para a disputa a presidente da República, governadores, um senador, e deputados federais e estaduais. Por ser puxada pelos concorrentes à Presidência, a campanha gera cenários complexos nos estados, onde as alianças em nível nacional encontram barreiras que muitas vezes quebram antigos elos políticos locais.

No Espírito Santo, as articulações em andamento marcam o retorno de políticos experientes, entre eles o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), o ex-senador Ricardo Ferraço (DEM) e os ex-prefeitos Luiz Paulo Vellozo Lucas (Vitória) e Max Filho (Vila Velha), ambos no PSDB, partido desarticulado por Hartung no último pleito. Com exceção do ex-governador, que desistiu da reeleição, todos foram derrotados em 2018.

Luiz Paulo e Max Filho se organizam para concorrer à Câmara Federal, e Ricardo Ferraço, que conduz o novo partido União Brasil no Espírito Santo, fruto da fusão DEM/PSL, aponta para o Senado ou governo do Estado, a depender das conversas no âmbito nacional. Essas articulações passam por alianças relacionadas a uma terceira via para disputar com o ex-presidente Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido), que deve se filiar ao PP, comandado no Espírito Santo pelo aliado de Casagrande, Marcus Vicente, atual secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Paulo Hartung mira o Senado, em parceria com o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (de saída do MDB), que deve concorrer ao governo. Os dois conversam com o PSD, liderado no Estado pelo deputado federal Neucimar Fraga, aliado de Bolsonaro, em desacordo com a Executiva Nacional do partido, presidido por Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo. Kassab se afastou de Bolsonaro, conversa com Lula, mas, como tem demonstrado, sempre está disponível a outras articulações.

"Sou Bolsonaro e vou apoiá-lo para reeleição, mas no Estado estamos focado na construção do partido e poderemos filiar nomes, que podem fortalecer o PSD na chapa proporcional e majoritária. Tanto Paulo Hartung quanto Guerino já conversaram comigo, assim como outros pré-candidatos", diz Neucimar. Para ele, essa situação não destoa das conversas com Gilberto Kassab. "Compromisso do Kassab é liberar a bancada nos estados, caso o partido não lance candidatura própria", explica.

O ex-governador quebra o silêncio e divulgou vídeo, semana passada, com um discurso com o tom que o tem caracterizado nos últimos anos, ao bater na mesma tecla que chama para uma mais eficiente organização dos programas sociais de redistribuição de renda, sem, no entanto, apontar caminhos opostos à política neoliberal controlada hegemonicamente pelo mercado.

Essa situação ficou demonstrada por Hartung durante sua gestão, ao colocar em prática um programa de governo marcado por cortes que provocaram perdas, principalmente para os servidores públicos, e lucros exorbitantes para o setor empresarial. Um dos frutos de sua administração foi a greve geral da Polícia Militar, em fevereiro de 2017, com um saldo de mais de 200 homicídios no Estado.

Do lado do PT, as lideranças buscam uma saída para o impasse sobre a filiação do senador Fabiano Contarato, ainda no Rede, que poderia reforçar o palanque de Lula no Estado, abrindo espaço para que ele concorra ao Palácio Anchieta. Essa conversa enfrenta problemas decorrentes da aproximação do PSB nacional com o PT, que respinga no processo de reeleição de Renato Casagrande.

Como o PT decidiu ter palanque para Lula em todos os estados, os bastidores apontam que o partido poderá decidir por um candidato próprio, que não seja Contarato. O nome de Jackeline Rocha, presidente do partido, sempre é citado em notícias de bastidores e, embora ela admita que pretende concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, seguirá determinações do partido. Jackeline é a primeira mulher a comandar o PT no Estado e exerce uma liderança bem avaliada. 

O processo

O pleito de 2022 será o primeiro em eleições gerais que aplicará a proibição para formação das coligações proporcionais. Os partidos terão que concorrer de forma isolada às vagas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas, aumentando a disputa entre os candidatos para os parlamentos federal e estadual. Cada partido ou federação partidária pode inscrever até 31 nomes para estadual e 11 para federal.  

De acordo com a legislação, poderá participar das eleições o partido político que, até seis meses antes do pleito, tenha registrado o estatuto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, até a data da convenção, órgão de direção constituído na circunscrição, esteja devidamente anotado no tribunal eleitoral competente.

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