Não bastasse o conturbado cenário político no Estado, as principais lideranças interessadas no processo eleitoral de 2018 se veem pressionadas diante de mudanças que devem acontecer depois do recesso nas regras que afetam diretamente o jogo eleitoral. Uma das mudanças à vista é a possibilidade de antecipação da janela de migração partidária.
A regra atual determina o prazo de seis meses antes da eleição para a mudança partidária, ou seja, 7 de abril, com a janela sendo aberta em 7 de março de 2018. Mas o prazo deve ser antecipado. Pelo acordo, que estaria sendo costurado no Congresso Nacional, a janela seria antecipada para setembro ou outubro deste ano.
Esta é uma movimentação que afeta as lideranças políticas do Estado de olho no processo eleitoral. O governador Paulo Hartung, desde o ano passado vem dando sinais de que estaria de saída do PMDB, partido ao se filiou em 2005. O destino de Hartung seria o PSDB, mas há muita resistência no partido à entrada do governador. Ele já fez um movimento no início do ano e ficou frustrado com a recepção. Lideranças de peso dentro do partido puseram o pé da porta e seguraram a entrada do peemedebista.
A diminuição do prazo para filiação deixa a situação complicada, porque ele terá menos tempo para convencer os tucanos sobre sua filiação. Diminui também o tempo para encontrar um caminho alternativo, caso o PSDB mantenha a posição de fechar a porta para o governador.
Por outro lado, quem também se prejudica com a antecipação da janela é o ex-governador Renato Casagrande. O partido dele, o PSB, está sendo “leiloado” pelo PMDB e DEM e pode perder ao menos 10 dos 33 deputados que têm hoje na Câmara, o que reduziria o fundo partidário para a campanha do próximo ano. A antecipação da janela vai ter de acelerar as medidas das lideranças do partido para evitar a evasão de deputados. Como Renato Casagrande é secretário-geral do PSB nacional e presidente da Fundação João Mangabeira, vai ter de entrar nesta briga como liderança de proa do partido.
Entre os nomes que pretendem disputar a eleição proporcional também há muita expectativa, sobretudo entre os deputados estaduais que pretendem migrar para outras siglas. Caso do deputado Josias Da Vitória, cotado para deixar o PDT em direção à Rede. Seu colega de partido na Assembleia, Euclério Sampaio, está mais ou menos na mesma situação. Sem clima dentro do PDT, ele também procura uma sigla para disputar a reeleição. Mas com o caminho mais cogestionado, não tem a mesma aceitação de Da Vitória, que disputa a Câmara.
Também estariam dispostos a mudar de partido os deputados Sérgio Majeski (PSDB) e Theodorico Ferraço (DEM), que não querem dividir a sigla com o governador Paulo Hartung, que estaria trabalhando com as duas possibilidades de filiação.
Na disputa majoritária, o deputado Amaro Neto pode sair do Solidariedade para entrar na corrida ao Senado por outro partido.

