Com o fim do período de migrações partidárias, a Câmara dos Deputados registrou 40 alterações nas bancadas. No caso da bancada capixaba, apenas um deputado federal mudou de partido, o deputado Jorge Silva, que deixou o Pros para se filiar ao PHS.
Com as mudanças, alguns partidos ganharam mais atenção da classe política, isso porque, quanto maior a bancada, mais tempo de TV tem a agremiação partidária, um recurso fundamental para os candidatos, sobretudo a prefeito, em municípios que têm retransmissoras de TV.
Por isso, os partidos grandes, que não têm candidatos a prefeito ou que a candidatura pode ser reversível, ganham destaque no cenário político, se transformando em noivas cobiçadas na disputa eleitoral.
Em Vitória, esse fenômeno é melhor observado, quando olhamos para a divisão dos palanques previstos para a disputa deste ano. A movimentação do Palácio Anchieta, depois de encher o campo de candidaturas competitivas, agora é no sentido de tirar os apoios do atual prefeito Luciano Rezende (PPS). Mas ele esbarra nas orientações das nacionais para as alianças municipais. O PPS não é um fenômeno na Câmara, tem apenas nove deputados federais, mas está ao lado do PSB, que tem uma importante bancadas, com 31 parlamentares. O partido pode se unir ainda ao PP, que tem o quarto maior bancada na Câmara, com 49 parlamentares, ajudando no horário da proporcional da Rede, que com apenas cinco deputados tem muito pouco tempo de TV.
O palanque de Luiz Paulo Vellozo Lucas tem o reforço da bancada tucana, terceira maior da Câmara, com 50 deputados federais. O partido deve se unir a um aliado histórico, o DEM, que tem 28 deputados e ao PSC, que tem 10.
Amaro Neto está no Solidariedade, que tem apenas 14 deputados federais, mas tem o apoio do grande PR, com 40 parlamentares e do PRB, que tem 22 representantes. O partido vem disputando com o PSDB o apoio do PDT, que poderia mudar o jogo em favor do grupo, já que o partido tem 20 deputados e reforçaria o tempo de TV da coligação. O SD vem oferecendo a vice a Max da Mata, recém filiado ao partido.
É interessante a situação de candidatos que estariam isolados, mas ainda assim manteriam um tempo de TV bom por causa das bancadas. Lelo Coimbra, por exemplo, é um dos 68 deputados do PMDB, a maior bancada da Casa. O candidato do PT, quando for escolhido, vai contar com o tempo garantido pelos 58 parlamentares do partido em Brasília, e ainda poderá somar os 12 do PCdoB. O PTB, de Serjão Magalhães, tem 19 deputados e o PSD, de Envialdo dos Anjos, tem 32 parlamentares. Já o PSol, com apenas seis deputados, terá problemas para conseguir um tempo razoável de TV.
O tempo de cada candidatura é definida pelo número de deputados federais e a soma dos partidos da coligação é que define quanto tempo cada candidato tem. Por isso, quanto mais partidos fortes, com bancadas grandes houver no grupo, mais tempo de TV o candidato terá. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é que fará a divisão depois do registro das chapas. Este ano, a campanha no rádio e na TV vai durar 35 dias em vez de 45 como nas eleições passadas. A campanha eleitoral também será mais curta, de 90 para 45 dias.

