O deputado estadual Amaro Neto (SD) tem invertido a lógica das conversas para 2018. Geralmente se forma um bloco, que depois se transformará em palanque e, a partir disso, se distribui as acomodações para a disputa a cada cargo. Amaro, com uma popularidade de dar inveja a muito político experiente, tem se dado ao luxo de, uma vez decidido a disputar o Senado, debater com os mais diferentes grupos para escolher o que melhor se encaixa ao seu projeto.
E nesse cenário, cabe, inclusive, o diálogo aberto com um adversário recente, Luciano Rezende (PPS). Como o clima bélico que se estabeleceu entre os dois na disputa ainda é muito recente, as lideranças têm recorrido a interlocutores.
Os emissários encarregados de fazer a interlocução dão pistas que a aproximação é viável. A coluna Praça Oito, de A Gazeta, desta quinta-feira (27), retrata o recente encontro entre o suplente de vereador Evandro Figueiredo (PDT), aliado do deputado estadual, com o supersecretário de Comunicação, Planejamento e Gestão, Fabrício Gandini (PPS), braço direito do prefeito. Evandro e Gandini são adversários que dividem a mesma base eleitoral, em Jardim Camburi. Mas deixaram as diferenças de lado em nome de um projeto maior, que pode ser interessante para os dois lados.
A vantagem maior, porém, é para o grupo do prefeito. Se cumprir sua parte no acordo, e conquistar a vaga no Senado, Amaro ficaria fora da eleição à prefeitura de Vitória em 2020, deixando o caminho livre para que o prefeito possa eleger seu sucessor, Gandini. Sem Amaro, o campo de 2020 fica bem facilitado para o grupo de Luciano, que deseja manter a Capital como seu núcleo político.
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O prefeito não é de esquecer facilmente seus desafetos eleitorais. Por isso, aproximação de Amaro tem sido cautelosa. Ele se reuniu antes com o ex-governador Renato Casagrande (PSB), aliado de primeira linha de Rezende e, mais recentemente, com o presidente do PT, João Coser (PT), que se movimenta ainda sem a definição de qual dos lados estará no processo do próximo ano.
A ideia de Amaro é de construir uma candidatura com identidade própria, sem dependência do palanque de Paulo Hartung ou Renato Casagrande, saindo pela tangente na polarização do cenário. Até porque, não há certeza se essa polarização irá mesmo se repetir no próximo ano. Nem mesmo a formação das parcerias ao Senado.
A eleição do próximo ano terá em disputa duas vagas, que são hoje ocupadas pelos senadores Ricardo Ferraço (PSDB) e Magno Malta (PR). A princípio pensou-se que ambos fariam essa dobradinha no palanque de reeleição de Paulo Hartung. Mas há controvérsias nessa costura. Malta estaria se distanciando cada vez mais do grupo palaciano e estabelecendo conversas com o ex-governador Renato Casagrande.
No que se refere às movimentações nesse grupo que pode vir a enfrentar o palanque palaciano, o nome de Amaro é muito mais útil aos planos do prefeito de Vitória do que Magno Malta, já que o deputado estadual tem interesse direto na prefeitura de Vitória. Magno, por sua vez, tem uma imagem mais estadual e certa resistência do eleitorado da Capital.

