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Aproximação nacional facilita conversas entre PT e PSB no Espírito Santo

Tanto em nível nacional quanto local há uma tentativa de aproximação do PT com o PSB. Esse flerte ficou mais aceso nas últimas semanas, após o encontro dos presidentes nacionais dos dois partidos, Gleisi Hoffmann (PT) e Carlos Siqueira (PSB). Essa aproximação parece ter causado desdobramentos no Estado. O secretário-geral do PSB, o ex-governador Renato Casagrande, também conversou com o presidente do PT estadual, João Coser, deixando pistas de que essa conversa pode avançar, sobretudo se os socialistas assumirem o protagonismo na disputa estadual. 
 
Nacionalmente, o PSB trabalha com quatro hipóteses para a disputa do próximo ano. A busca principal seria por uma candidatura própria à Presidência da República, mas o partido não tem obtido sucesso em encontrar um nome que encampe o projeto e tenha força política para uma disputa presidencial. 
 
No campo das alianças, o partido vem trabalhando a aproximação com a Rede, da presidenciável Marina Silva, que disputou a eleição para presidente em 2014, abrigada no PSB; o PSDB, desde que tenha como candidato o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e, em um campo mais distante, a reaproximação com o PT, de quem foi parceiro até 2014.  
 
No Estado, o encontro entre Casagrande e João Coser pode ser interpretado como um sinal dessa reaproximação das duas forças políticas que caminharam juntas em 2010, quando o PT compôs chapa como socialista na disputa ao governo do Estado, tendo o hoje deputado federal Givaldo Vieira como vice-governador.
 
No Estado, o PSB de Casagrande vem tentando atrair os descontentes com o governo Paulo Hartung, como PPS, do prefeito de Vitória Luciano Rezende. O ex-governador Renato Casagrande também mantém conversas com a Rede, do prefeito da Serra Audifax Barcelos, e com a senadora Rose de Freitas, do PMDB. Todos têm um ponto de convergência: o desalinhamento do Palácio Anchieta.
 
Não por acaso, reforçou a ideia nos meios políticos o prêmio recebido por Casagrande na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (7). O socialista foi homenageado com o prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação.
 
Iniciativa da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Casa, presidida pelo deputado federal Givaldo Vieira. Depois da entrega do premio, os dois gravaram vídeo fazendo trocas de elogios da passagem de ambos pelo governo do Estado (2011 a 2014).
 
Dificuldades
 
Apesar das conversas positivas dos dois partidos dentro e fora do Estado, lideranças petistas e socialistas sabem que essa harmonização não seria tão fácil. Nacionalmente, o desgaste do PT afasta o PSB. Tanto que o encontro com a presidente da sigla estava sendo protelado desde agosto. No ninho da pomba há muita resistência a um retorno à aliança com partido de Lula. 
 
Já no Estado, o problema seria mais complicado ainda. Primeiro porque o PT, após a eleição para a presidência em maio passado, saiu dividido entre o grupo que se alinha ao Palácio Anchieta e o grupo que defende o rompimento total. Embora o aliado do governador Paulo Hartung, João Coser, tenha assumido o comando do partido no Estado, a tese de saída da base do governo foi vencedora no processo eleitoral petista. Mas ainda há divisões, como na Assembleia Legislativa, com o deputado estadual Nunes, mantendo o alinhamento ao governo.
 
Além disso, a união na proporcional poderia aumentar o desconforto nas acomodações. O presidente do PT disputa uma vaga na Câmara dos Deputados e uma aliança com o PSB poderia fortalecer Givaldo à reeleição. De outro lado, sem a eventual aliança com Casagrande, Givaldo poderia ficar em desvantagem em relação a Coser.

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