Tucano não conseguiu viabilizar a tão sonhada candidatura a governador

O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), anunciou oficialmente pelas redes sociais, nesta quarta-feira (25), que vai permanecer no cargo até o fim de seu mandato. O chefe do executivo canela-verde afirmou, em nota, que tomou a decisão de não renunciar visando as eleições após “colocar seu caminho nas mãos de Deus” e ouvir “minha família, nosso grupo político e, principalmente, a população”.
“Foi na confiança dos canela-verdes – que me reelegeram com quase 80% dos votos – que encontrei a resposta”, escreveu. A nota enfatiza ainda que Arnaldinho vai continuar “contribuindo com o debate no Espírito Santo e com a construção de soluções para o nosso Estado avançar”.
O anúncio do recuo chega como um “anticlímax” na jornada que Arnaldinho percorreu nos últimos meses. Desde o final do ano passado, o prefeito de Vila Velha vinha “batendo o pé” de que mantinha pré-candidatura a governador mesmo com a decisão de Renato Casagrande (PSB) de apoiar para a disputa o seu vice, Ricardo Ferraço (MDB).
A postura abriu margem para especulações sobre a possibilidade de Arnaldinho erguer um palanque independente, como uma terceira via na disputa majoritária. Entretanto, em pleno Carnaval, veio a jogada mais ousada: ele passou a circular com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato a governador no bloco de oposição.
Com isso, os movimentos de Arnaldinho ficaram ainda mais nebulosos. Por que se juntar a Pazolini, que não demonstra a menor pretensão de recuar da candidatura a governador? E então surgiu no cenário uma possível candidatura do prefeito de Vila Velha a senador pelo bloco de oposição. Os dois apareceram juntos em agendas e até pelo interior do Estado, mas depois pisaram o freio na estratégia casada.
Até que Arnaldinho surpreendeu novamente no último dia 14, ao comparecer a uma inauguração do Governo do Estado na região da Grande Terra Velha, em Vila Velha, e posar ao lado de Casagrande e Ferraço, algo que ele vinha evitando desde a aproximação com Pazolini. Aquele já era o segundo sinal de recuo.
Agora, com o anúncio de sua desistência, resta a dúvida sobre de que lado ficará na campanha eleitoral deste ano: do grupo de Casagrande, seus aliados na quase totalidade do mandato da prefeitura até agora, e responsável pelos elevados investimentos no município, ou de Pazolini e companhia, com quem tem feito “novas amizades”.
Um ponto a se destacar é que Arnaldinho apresentou desempenho inferior em pesquisas eleitorais em comparação ao de outros pré-candidatos, seja para governador ou senador – em que pese o grande número de eleitores indecisos. No fim das contas, fica a sensação de que, pelo menos em termos eleitorais, o prefeito de Vila Velha prometeu muito e não entregou nada.

