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Assembleia e Câmara recebem renúncias de Casagrande e Pazolini

Candidatos em outubro, governador e prefeito de Vitória cumprem o prazo eleitoral

Os presidentes da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), e da Câmara de Vitória, Anderson Goggi (Republicanos), realizaram, nesta quarta-feira (1º), as leituras das cartas de renúncia do governador Renato Casagrande (PSB) e do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Ambos vão se candidatar nas eleições de outubro deste ano e precisam se desincompatibilizar dos cargos até sábado (4).

Renato Casagrande, que vai disputar o Senado, já havia anunciado oficialmente sua saída. Seu vice, Ricardo Ferraço (MDB), vai ser empossado como governador nesta quinta-feira (2). Ricardo sustenta pré-candidatura ao Governo do Estado – no caso, uma tentativa de reeleição, uma vez que ele já passará a ocupar o cargo e não poderá se candidatar novamente em 2030.

No cargo desde 2019, Renato Casagrande cumpre seu segundo mandato consecutivo. Antes disso, também chefiou o Governo do Estado de 2011 a 2014. Existe uma ironia no atual movimento de renúncia de Casagrande.

Em 2010, Ricardo Ferraço era vice do então governador Paulo Hartung (PSD), que renunciaria ao mandato para se candidatar a senador e apoiaria Ricardo para sucedê-lo. Entretanto, na última hora, Hartung voltou atrás em tudo: se manteve no cargo e ainda apoiou Renato Casagrande para governador – de quem ganhou, posteriormente, nas eleições de 2014.

Paulo Hartung deixou a cena eleitoral do Estado em 2018 – tem sido cotado como candidato a senador, mas não deu sinais de que pretende entrar na disputa de fato. E agora, Casagrande cumpre a promessa desfeita por Hartung em 2010: deixará o governo e apoiará Ricardo Ferraço como candidato a governador.

Lorenzo Pazolini, por sua vez, anunciou que vai seguir no mandato até sábado. Foi eleito prefeito de Vitória pela primeira vez em 2020 e se reelegeu em 2024. Delegado da Polícia Civil, também foi deputado estadual de 2019 a 2020, e desde então tornou-se um nome em ascensão da direita no Espírito Santo – com o apoio de Paulo Hartung.

No primeiro mandato, Lorenzo Pazolini teve péssimo relacionamento com sua vice, Capitã Estéfane (Podemos) – o prefeito chegou a tirar o microfone das mãos dela durante um evento da prefeitura em 2022, impedindo-a de falar, num episódio apontado por movimentos sociais como violência política de gênero.

Para o segundo mandato, Lorenzo Pazolini escolheu outra mulher como vice: Cris Samorini (PP). O prefeito deu mais espaço a ela ao nomeá-la como secretária municipal de Desenvolvimento da Cidade. Os dois também faziam muitas postagens juntos nas redes sociais, como se Pazolini já estivesse preparando a passagem de bastão. Para fora, porém, o clima mudou após o episódio “Calcinha Preta”, ocorrido em maio do ano passado, quando vazou um vídeo que mostra Lorenzo e Cris em um momento de intimidade durante um show em Teresina (PI), e as postagens conjuntas acabaram.

Mas os dois seguem alinhados nos projetos políticos, como ecoa do mercado político. Cris Samorini foi presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), chegando ao poder como um nome que representa as grandes empresas do Estado. Ela está filiada ao PP, que forma federação com o União Brasil, a principal perna de apoio ao palanque oposto, de Ricardo Ferraço (MDB), que toma posse nesta quinta-feira (2) como governador do Estado.

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