O comunicado feito durante a sessão ordinária desta segunda-feira (27) foi uma forma de acalmar os servidores do Legislativo e os deputados, que temem o contingenciamento de recursos aos demais Poderes no próximo ano. “Os parlamentares estão tolerando uma economia de guerra”, afirmou o demista, que foi alvo de protestos na semana passada antes da votação do parecer da Comissão de Finanças pela aprovação do PL 119/2016. O projeto de LDO impõe duras medidas de arrocho, como o congelamento dos orçamentos. Neste caso, a Assembleia que teria feito o “dever de casa” ao evitar consumir toda sua verba, ficaria no prejuízo.
“Nada mais justo que se reivindique que no próximo orçamento, meses e dias, quando estiver aqui nessa Casa, que o governo atenda à solicitação da Casa para que fazendo justiça não só ao Poder Legislativo, mas aos poderes que economizaram e que têm superávit financeiro, que seja transformada em orçamento já para o próximo exercício”, explicou Ferraço. Ele ainda tentou minimizar as sugestões feitas pelo 1º secretário da Mesa Diretora, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), que provocou uma revolta ao propor a redução no número de servidores nos gabinetes dos deputados e o corte no auxílio-alimentação dos trabalhadores com objetivo de fechar as contas.
“Assim, eu quero tranquilizar essa Casa, que não haverá nenhuma crise nesta Casa de Leis com relação ao seu funcionamento, que será sempre de economia, mas que não poderá e não deverá trazer intranquilidade aos servidores dessa Casa, que fazem parte do coração de todos nós”, garantiu o presidente da Assembleia, fiel ao seu estilo de retórica. Ferraço ainda disfarçou sua intenção de concorrer à reeleição ao se referir à eventual futura Mesa Diretora: “Julgo que é meu dever deixar para a próxima Mesa receber uma Assembleia enxuta, com pagamentos em dia e em pleno funcionamento”.
O deputado Gilsinho Lopes (PR) parabenizou a iniciativa e disse que iria votar contra a aprovação da LDO. Em seu entendimento, a matéria fere direitos do Legislativo. Ele ponderou, no entanto, que poderá mudar de ideia caso haja entendimento na reunião com o governo. O encontro deverá ter a participação dos integrantes da Mesa, além do líder do governo, Gildevan Fernandes (PMDB), e do presidente da Comissão de Finanças, Dary Pagung (PRP).

