Vereadora Karla Coser está de volta à Câmara após seis meses de licença-maternidade

A vereadora Karla Coser (PT) reassumiu seu mandato na Câmara de Vitória nesta semana, após seis meses de licença-maternidade – o recesso das sessões segue até fevereiro. A volta da parlamentar, adversária do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), pode ajudar a fortalecer novamente a bancada de oposição, que não tem conseguido se destacar no enfrentamento à gestão municipal e ao campo da direita de modo geral.
Um dos maiores exemplos desse enfraquecimento foi a “visita” de Gilvan da Federal (PL) à Câmara, em dezembro, quando o deputado federal utilizou a tribuna para se manifestar sobre a condenação por violência política de gênero. Em vez de se posicionarem defendendo o processo, os vereadores de oposição preferiram se ausentar do plenário.
Professor Jocelino (PT) justificou-se falando em “evitar mal-estar”. Já Ana Paula Rocha (Psol) – do mesmo partido da deputada estadual Camila Valadão, alvo da violência verbal praticada por Gilvan quando ambos eram vereadores da Casa – emitiu uma nota alegando que a saída foi um “ato político de repúdio” à presença do deputado federal condenado.
Entretanto, conforme análise feita por Manaíra Medeiros, da coluna Socioeconômicas, de Século Diário, o parlamento é o espaço ideal para os embates políticos. Com a ausência deliberada dos vereadores, a oposição simplesmente ficou sem voz, facilitando o trabalho de Gilvan.
Durante a última prestação de contas de Lorenzo Pazolini na Câmara, realizada no dia 30 de dezembro, o tom geral das intervenções dos parlamentares também foi bastante “amigável”, inclusive daqueles que integram a oposição.
O único momento tenso foi com o vereador Pedro Trés (PSB), que recebeu uma resposta dura de Pazolini aos seus questionamentos, apesar de o parlamentar ter falado de forma polida. Ficou a impressão de que o prefeito escolheu apenas um com quem “brigar” – justamente alguém que representa o campo do governador Renato Casagrande (PSB) – e poupou os demais.
Perfis
Para Karla Coser, opor-se a Pazolini é quase um imperativo, tendo em vista a missão de defender o legado do próprio pai, o ex-prefeito de Vitória (atualmente deputado estadual) João Coser (PT), dos ataques dos parlamentares de direita e extrema direita. Também entram nessa conta as suas pretensões individuais. Vereadora mais votada em 2024, é pré-candidata a deputada estadual neste ano e cotada para a disputa pela Prefeitura de Vitória em 2028.
Já o suplente do PT que ocupou o lugar de Karla tem um perfil bem diferente. Raniery Ferreira é uma liderança comunitária da região da Grande Goiabeiras. Nas eleições de 2024, recebeu o apoio do deputado estadual Denninho Silva (União), um aliado de primeira hora de Pazolini – Deninho também tem reduto eleitoral em Goiabeiras. Durante a sua incursão na Câmara, Raniery evitou o rótulo de vereador de oposição, ainda que não tenha aderido à base governista.
O outro vereador petista de Vitória, Professor Jocelino, também é próximo de Pazolini, desde os tempos em que o parlamentar era conselheiro tutelar e o prefeito atuava na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Jocelino, não raro, aparece em eventos oficiais da prefeitura, e já recebeu elogios do prefeito, que o considera como um exemplo de alguém que consegue manter a “convivência entre adversários”.
O outro vereador de Vitória da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), Luiz Paulo Amorim (PV), se coloca como apoiador do prefeito. Dentre os parlamentares do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Pedro Trés também tem uma postura mais crítica ao governo, ainda que em tom moderado. Bruno Malias segue uma linha “independente”, e o veterano Aloísio Varejão é da base governista.
Dentro dos partidos progressistas, há também Ana Paula Rocha como uma vereadora de oposição mais combativa, ainda que peque pela ausência em alguns momentos críticos, como o da presença de Gilvan da Federal na Câmara. Professora de História ligada aos movimentos antirracistas, ela está em seu primeiro mandato parlamentar.
À direita, o bolsonarista Dárcio Bracarense (PL) mantém uma relação nem sempre amistosa com a gestão de Lorenzo Pazolini, apesar das afinidades ideológicas entre ambos.

