Na sessão desta quarta-feira (1) na Assembleia, chamou atenção a posição crítica ao governo do Estado dos deputados estaduais Bruno Lamas e Freitas. Nas últimas sessões, é visível que os dois deputados do PSB não estão mais alinhados ao Palácio Anchieta.
Esse desalinhamento ficou mais evidente a partir do envio para o legislativo dos projetos de renegociação da dívida dos Estados, que deixará para o próximo governador o ônus do pagamento das dívidas repactuadas com a União, enquanto o governador Paulo Hartung (PMDB) — crítico ferrenho de socorro aos Estados — vai poder colocar dinheiro em caixa de olho no ano eleitoral que se aproxima.
As críticas de Bruno Lamas são relativas à sua principal base, o município da Serra. O deputado vem destacando o superávit apresentado pelo secretario de Fazenda, Bruno Funchal, de R$ 1,2 bilhão. O socialista cobrou a retomada dos investimentos no município que, segundo ele, estão paralisados. Para o deputado, não há mais motivo para o governo represar os recursos que deveriam ser destinados aos municípios.
Lamas fez esse fala para questionar o governo com relação à matéria de renegociação das dívidas do Estado com a União que tramitava em regime de urgência. Ele afirmou que a matéria mereceria um amplo debate com sociedade e entidades. “Isso não é justo. Além do mais, é uma grande contradição. Quem vai pagar o pato? Porque os investimentos vão continuar congelados. Esse projeto vai exigir da liderança do governo e da presidência da Comissão de Finanças uma explicação que convença ou não. Governo que dialoga pouco erra mais”, provocou.
Freitas também foi à tribuna na manhã desta quarta-feira (1) para dar uma cutucada no governo. O deputado reclamou que o governador fala em união, mas não trabalha desta forma. Ele destacou o não pagamento de suas emendas para o município de São Mateus, no norte do Estado, como uma forma de fazer essa diferenciação entre os aliados e os parlamentares não alinhados com o Palácio Anchieta.
O deputado socialista afirma que suas emendas são na área da Saúde e que o governo, embora afirme que faz investimentos na área em seu município, o discurso não condiz com a verdade. Freitas é um dos deputados que não teve nenhuma emenda parlamentar paga no ano de 2017.
Os deputados do PSB se revezaram na tribuna da Casa para criticar as ações do governo e a incoerência entre o discurso que criticava a renegociação das dívidas do Estado, à época da aprovação da matéria no Congresso Nacional, e sua movimentação atual de aderir ao programa.
Ao discurso anti-governista dos socialistas também se une o deputado Sergio Majeski (PSDB), que faz oposição ao governo desde o primeiro dia de mandato. Na sessão dessa terça-feira (31), Majeski chamou a atenção dos colegas ao apontar a contradição no do governador Paulo Hartung que agora também quer repactuar as dívidas do Estado.
“O que me causa espanto é que o Espírito Santo foi o primeiro a criticar a lei. Porque seria para beneficiar os Estados que não fizeram a lição de casa, e que aqui não precisaria. Esses projetos são polêmicos para o próximo governo. Quem se beneficiará com essa negociação é o atual governador, quem pagará conta é o próximo. O dinheiro entrará na conta no começo do próximo ano, ainda o atual governo, mas o próximo governador terá de respeitar a inflação”, iniciou Majeski.
A base tenta contemporizar a movimentação palaciana, mas o discurso da oposição tende a crescer na Assembleia.

