Para alguns observadores do cenário político do Estado, 2018 deve encerrar o ciclo de disputa entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB), embora o primeiro projete seu caminho para o cenário nacional, a tendência é de que os dois rivalizem o mercado político, ainda que indiretamente. Por isso, uma fila sucessória começa a ser cogitada para um cenário pós-Hartung e pós-Casagrande.
Mas, nesses arranjos, algumas lideranças perdem seu lugar na fila sucessória. Os dois principais atores políticos da Serra, por exemplo, eram nomes que até pouco tempo atrás estavam cotados como nomes capazes de alcançar voos que os levassem até o Palácio Anchieta. Mas, hoje já estão sendo ultrapassados na fila sucessória.
O motivo é a briga particular que os dois vêm travando desde 2004, quando Audifax sucedeu o pedetista na prefeitura e foi impedido de disputar a reeleição em 2008, quando ainda era do PDT, tendo de ceder o lugar a contragosto a Vidigal.
De lá para cá, o clima político na Serra se radicalizou entre as duas lideranças, fechando o espaço para o surgimento de outros nomes com peso para superá-los na disputa local. O clima de polarização e medição de força, eleição após eleição, vem contaminando apoiadores dos dois lados e o clímax dessa disputa parece ter sido a eleição da Mesa Diretora na Câmara da Serra, que causou tumulto entre apoiadores dos dois lados.
Enquanto esquenta localmente, em nível estadual essa disputa é prejudicial para as duas lidernças. Tanto Audifax quanto Vidigal conseguiram, estando na planície, se eleger deputados federais, em 2010 e 2014, respectivamente, isso graças ao grande eleitorado que o município tem. Mas o endurecimento da disputa está começando a cansar o eleitorado e enfraquecendo os dois políticos a nível estadual.
Vidigal perdeu duas vezes no município e isso não é bom para quem tem planos estaduais maiores. Ao entregar o comando do partido ao deputado Josias Da Vitória, durante o período eleitoral, Vidigal também acaba se enfraquecendo partidariamente, o que complica sua situação.
Audifax tem dois desafios, o primeiro de fazer um segundo mandato de resultado ou acabará desagradando o eleitorado e precisa organizar e fortalecer seu partido (Rede) no Estado para ganhar musculatura, o que para a classe política são tarefas que o cenário eleitoral não oferece condições facilitadoras.
Para os meios políticos, as musculaturas enfraquecidas das duas lideranças serranas é um alívio para quem está de olho no cenário pós-Hartung e espera dar um passo à frente na nova fila.

