Segunda, 15 Julho 2024

Cacique Toninho reforça candidaturas indígenas a vereador em Aracruz

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Antonio Carlos, mais conhecido como Toninho de Comboios, acaba de deixar o posto de cacique da terra indígena Tupinikim de Comboios para se lançar como pré-candidato a vereador de Aracruz pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Seu objetivo é aumentar a representação política indígena no município do norte do Estado, que tem mais de 7 mil habitantes que se declaram indígenas.

Com 50 anos, Toninho afirma que está na militância desde os 15, seja lutando por questões caras aos indígenas ou por reivindicações sociais em geral. Nos últimos 12 anos foi o cacique de Comboios, deixando o posto para se dedicar à sua primeira campanha eleitoral.

"Nós, indígenas, sempre apoiamos e votamos em pessoas não indígenas, com a promessa de melhorias. Só que as coisas nunca chegavam para melhorar as aldeias. As comunidades indígenas só são lembradas na época da eleição e no 19 de abril [Dia dos Povos Indígenas]", critica Toninho.

Aracruz teve o seu primeiro vereador indígena em 2015, quando Ervaldo Índio (2015) assumiu um mandato como suplente na vaga de Erick Musso (Republicanos), então eleito como deputado estadual. Nas eleições de 2020, Vilson Jaguareté (PT) foi o candidato mais votado para a Câmara.

"Nossa relação com as outras aldeias é muito próxima, e nós lutamos pelo mesmo objetivo. Se hoje nós temos uma cadeira na Câmara, queremos aumentar para duas e, em seguida, para três. O nosso objetivo é ganhar espaço na sociedade, na política. Temos buscado pareceria com os outros caciques, associações e outros candidatos também", comenta Toninho.

Comboios é uma terra indígena de 3,8 mil hectares e quase 900 pessoas, que fica numa península de Aracruz, cercada por rio e mar. Toninho destaca como um dos problemas recentes mais graves  o rompimento da barragem da Vale/Samarco/BHP em Mariana, Minas Gerais, que despejou uma imensa quantidade de rejeitos de minério no Rio Doce – chegando ao Rio Comboios, que passa pela comunidade indígena.

Segundo ele, uma das reivindicações pela qual pretende lutar com mais intensidade, caso eleito, é para que seja instalado um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), que contribui para a assistência em saúde dos povos originários, exclusivo para o Espírito Santo. "Hoje, existe um para atender Espírito Santo e Minas Gerais [com sede em Governador Valadares]. Queremos um só para o nosso Estado", reforça.

Além disso, o ex-cacique ressalta que também pretende trabalhar pelas comunidades não indígenas mais necessitadas. "A partir do momento em que a gente se torna vereador, precisa pensar no município como um todo", destaca.

Além de Vilson Jaguareté, a atual legislatura da Câmara de Aracruz tem como vereadores: Adriana Guimarães Machado e Paim (MDB); Alexandre Manhães (Mobiliza); André Carlesso, Bibi Rossato, Elizeu Costa, Jean Pedrini, Edilson Spinassé, Tião Cornélio e Mônica de Souza Pontes Cordeirol, todos do PP; Etienne Coutinho Musso (PSB); Léo Pereira (União); Marcelo Nena (PDT); Roberto Rangel (Podemos); e Rhayrane Pedroni (PCdoB).

O Progressistas (PP), atual partido do prefeito Dr. Coutinho, domina o parlamento. A Federação Brasil da Esperança (PT, PcdoB e PV) também deverá apoiar a a tentativa de reeleição do chefe do Poder Executivo nas eleições de outubro deste ano.

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